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Governo Lula e Câmara fecham acordo histórico para regulamentar fim da escala 6×1 com jornada de 40 horas e dois dias de folga

Redação
13 de maio de 2026 às 13:15
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Governo Lula e Câmara fecham acordo histórico para regulamentar fim da escala 6×1 com jornada de 40 horas e dois dias de folga

Foto: Lara Brito

Contexto histórico e pressões por reforma trabalhista

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil remonta à década de 1990, quando a Constituição Federal de 1988 já estabelecia limites à exploração laboral, embora sem definições claras sobre escalas extenuantes como a 6×1 — seis dias trabalhados seguidos por um dia de descanso. A pressão por mudanças ganhou força nos últimos anos, impulsionada por sindicatos, movimentos sociais e pela necessidade de modernizar a legislação trabalhista frente às transformações do mercado. Em 2017, a Reforma Trabalhista (Lei 13.467) flexibilizou regras, mas não abordou diretamente a escala 6×1, leaving lacunas que agora começam a ser preenchidas.

Acordo político selado em reunião técnica no Congresso

Na manhã desta quarta-feira (13.mai.2026), representantes do governo Lula e a bancada parlamentar, liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), concluíram um entendimento para avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1. A reunião, realizada na residência oficial da Câmara, contou com a participação de ministros estratégicos: José Guimarães (Relações Institucionais), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Bruno Moretti (Planejamento), além do relator da PEC, deputado Leo Prates (PDT-BA), e do presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP).

Diretrizes definidas: 40 horas, salários mantidos e transição negociada

O acordo estabelece que a PEC fixará na Constituição a jornada máxima de 40 horas semanais, a garantia de dois dias de folga consecutivos e a preservação dos salários atuais, sem perdas para os trabalhadores. Segundo o ministro Luiz Marinho, os detalhes operacionais — como regras de transição para setores específicos (saúde, segurança, transportes) — serão regulamentados por um projeto de lei a ser votado imediatamente após a PEC. “A Constituição definirá os princípios, mas a regulamentação exigirá negociações coletivas e ajustes setoriais”, afirmou Marinho em coletiva à imprensa.

O texto do Executivo, já encaminhado ao Congresso, servirá de base para o novo projeto, embora possa sofrer ajustes durante a tramitação. O ministro destacou que a proposta considerará particularidades regionais e de categoria, como turnos ininterruptos e regimes de plantão.

Impacto econômico e resistências setoriais

Setores como o de transportes, saúde e comércio varejista, historicamente dependentes de escalas 6×1, já sinalizaram preocupações com possíveis sobrecargas de custos ou queda na produtividade. Analistas econômicos, no entanto, apontam que a medida pode estimular o consumo interno ao elevar o poder aquisitivo dos trabalhadores, além de reduzir índices de absenteísmo e rotatividade. “A experiência internacional mostra que reduções de jornada tendem a aumentar a eficiência e a qualidade de vida”, avalia a economista Marina Silva, professora da FGV.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) manifestou cautela, pedindo que a regulamentação não imponha ônus excessivos às pequenas e médias empresas. “Precisamos de um modelo flexível que preserve a competitividade”, declarou o presidente da entidade, José Roberto Tadros.

Processo legislativo e cronograma de votações

A PEC, que tramita em comissão especial desde março de 2026, deve ser levada ao plenário ainda em maio, com votação simbólica prevista para a próxima semana. Caso aprovada em dois turnos na Câmara, seguirá para o Senado, onde a relatoria será conduzida pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). O projeto de lei complementar, por sua vez, terá tramitação mais ágil, com regime de urgência solicitado pelo governo para acelerar a implementação.

O presidente Hugo Motta garantiu que o diálogo com as centrais sindicais será mantido ao longo do processo. “Não é um acordo fechado entre quatro paredes. A sociedade civil terá voz ativa na regulamentação”, afirmou em nota oficial. Sindicatos como a CUT e a Força Sindical já anunciaram que pressionarão por cláusulas mais benéficas, especialmente em setores com alta rotatividade.

Comparação internacional e precedentes

O Brasil se alinha a tendências globais: na União Europeia, a Diretiva 2003/88/CE limita a jornada semanal a 48 horas, com média de 40 horas em muitos países. Espanha e Portugal, por exemplo, adotam escalas 5×2 ou 4×3 em diversos setores, com folga fixa. Nos EUA, a regulamentação varia por estado, mas a média semanal não ultrapassa 40 horas sem pagamento de horas extras. “A reforma brasileira segue um movimento que já é realidade em economias avançadas”, avalia o jurista Ricardo Pacheco.

No entanto, especialistas alertam para a necessidade de evitar modelos genéricos. “Cada setor tem dinâmicas distintas. A saúde, por exemplo, opera em regime de plantão, enquanto o comércio depende de horários comerciais. A regulamentação deve ser criteriosa”, pondera Pacheco.

Perspectivas e próximos passos

Se o cronograma for cumprido, a nova legislação poderá entrar em vigor ainda em 2026, com prazo de adaptação de 12 a 24 meses para os setores impactados. O governo Lula vê na medida uma oportunidade de reafirmar seu compromisso com a justiça social, após críticas de setores empresariais à política econômica. Para a oposição, a proposta é vista como uma manobra eleitoral, embora não tenham sido apresentadas alternativas concretas.

Enquanto a PEC avança no Congresso, o Palácio do Planalto já estuda campanhas de conscientização para trabalhadores e empregadores, visando minimizar resistências. “Este é um marco civilizatório. Não se trata apenas de reduzir horas, mas de garantir dignidade”, concluiu o ministro Luiz Marinho. A sociedade brasileira aguarda agora os desdobramentos legislativos e seus reflexos no cotidiano dos mais de 40 milhões de trabalhadores formalmente registrados no país.

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