Investimentos despencaram 96% em dois anos, enquanto temporais causam mortes e destruição na Zona da Mata
No epicentro de uma crise humanitária que já vitimou dezenas de pessoas na Zona da Mata, o governo de Romeu Zema (Novo) enfrenta uma onda de questionamentos sobre a gestão financeira destinada à mitigação de desastres naturais. Levantamentos realizados por órgãos de fiscalização e parlamentares de oposição indicam que, nos últimos anos, houve uma redução sistemática no empenho de recursos para programas de prevenção e infraestrutura urbana voltados ao enfrentamento de temporais.
A polêmica ganha tração em um momento em que prefeituras mineiras clamam por socorro financeiro para reconstruir vias e estabilizar terrenos que cederam sob o volume recorde de água registrado neste verão.
A anatomia do corte orçamentário
Analistas de contas públicas apontam que a tesoura do governo estadual atingiu áreas sensíveis da Defesa Civil e da Secretaria de Infraestrutura. Embora o governo tenha anunciado investimentos em resposta a desastres passados, o “empenho real” (o dinheiro efetivamente gasto) em obras preventivas de longo prazo teria sofrido um recuo significativo em comparação a gestões anteriores ou ao início do mandato.
Os pontos de maior tensão no orçamento incluem:
- Contenção de Encostas: Redução no aporte para obras em áreas de risco geológico mapeadas.
- Macrodrenagem: Falta de repasses para municípios ampliarem a capacidade de escoamento de rios urbanos.
- Aparelhamento da Defesa Civil: Questionamentos sobre a velocidade de modernização dos sistemas de alerta precoce.
O outro lado: A defesa do palácio tiradentes
Em resposta às críticas, a gestão Zema argumenta que o Estado herdou uma situação financeira de calamidade e que tem trabalhado para colocar as contas em ordem, o que permitiria, a longo prazo, investimentos mais sustentáveis. O governo também enfatiza que o volume de chuvas deste ano superou todas as projeções históricas, tornando qualquer infraestrutura vulnerável.
“A prioridade do Estado tem sido o socorro imediato e a recuperação ágil das vias para garantir o abastecimento. Atribuir a tragédia apenas a questões orçamentárias é ignorar que vivemos o período mais chuvoso da história recente de Minas Gerais”, afirmou a assessoria governamental em nota técnica.
Impacto político e social
Especialistas em urbanismo alertam que a política de “ajuste fiscal” não pode sobrepor-se à segurança climática. Com o aumento de eventos extremos devido às mudanças no clima, a prevenção deixa de ser uma escolha política para se tornar uma obrigação de segurança pública.
Consequências da falta de prevenção:
- Custo da Reconstrução: Estima-se que remediar os danos custe até cinco vezes mais do que as obras de prevenção que foram cortadas.
- Pressão no Sistema de Saúde: O aumento de feridos e surtos de doenças pós-enchente sobrecarrega a rede estadual.
- Deslocados Climáticos: O aumento no número de desabrigados gera um déficit habitacional imediato e de difícil solução.
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