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Galípolo rebate pressão dos EUA e garante manutenção do Pix gratuito, seguro e instantâneo

Jeverson
16 de julho de 2026 às 20:33
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Galípolo rebate pressão dos EUA e garante manutenção do Pix gratuito, seguro e instantâneo

Reprodução

Presidente do Banco Central afirma que sistema continuará sendo oferecido à população e contesta argumento usado por Washington para justificar tarifa adicional sobre produtos brasileiros

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assegurou nesta quinta-feira (16) que o Pix continuará funcionando como um sistema gratuito, seguro e instantâneo, apesar das críticas apresentadas pelos Estados Unidos contra o modelo brasileiro de pagamentos.

A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva convocada pelo governo federal para comentar a decisão norte-americana de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil.

“Vamos seguir fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo”, afirmou Galípolo.

O dirigente do Banco Central classificou como inconsistente a tentativa de relacionar o crescimento do Pix a supostos prejuízos provocados a empresas norte-americanas do setor financeiro e de meios de pagamento.

“O argumento contra o Pix é o caso mais flagrante que tentam criar uma lógica para aplicar tarifas”, declarou.

Galípolo contesta alegação de concorrência desleal

As críticas ao sistema brasileiro foram apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. O órgão sustenta que determinadas políticas adotadas pelo Brasil teriam favorecido o Pix e colocado empresas estrangeiras de pagamentos eletrônicos em posição de desvantagem.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, mecanismo que permite aos Estados Unidos aplicar sanções contra práticas consideradas discriminatórias ou prejudiciais às empresas do país.

Além dos serviços financeiros e do comércio digital, o processo analisou questões relacionadas às tarifas preferenciais, ao mercado de etanol, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

Galípolo rejeitou a interpretação de que a expansão de uma infraestrutura pública de pagamentos represente uma barreira contra empresas privadas. Ao defender a modernização promovida pelo sistema, o presidente do BC recorreu a uma comparação.

“A argumentação seria mais ou menos como tentar dizer que criar saneamento básico comprometeria receita de caminhão-pipa”, disse.

Na avaliação do dirigente, o surgimento do Pix ampliou as alternativas disponíveis aos consumidores, aumentou a concorrência e estimulou o desenvolvimento do próprio mercado de pagamentos.

Uso de cartões também cresceu após criação do Pix

Para rebater a afirmação de que o sistema teria retirado espaço de companhias ligadas aos cartões, Galípolo afirmou que o uso desse meio de pagamento cresceu 150% desde a implantação do Pix.

“Pix foi benéfico para quem demanda e para quem oferta”, declarou.

O sistema foi criado e é administrado pelo Banco Central. Disponível 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, o Pix permite que transferências e pagamentos sejam concluídos em poucos segundos.

Desde sua entrada em funcionamento, em novembro de 2020, a ferramenta passou a ocupar uma posição central na rotina financeira do país, sendo utilizada por consumidores, empresas, trabalhadores autônomos e órgãos públicos.

Tarifa de 25% entra em vigor em julho

A sobretaxa anunciada pelo governo dos Estados Unidos será aplicada a determinados produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A medida foi adotada após a conclusão da investigação comercial iniciada em julho de 2025.

Segundo o USTR, as práticas brasileiras analisadas seriam “não razoáveis” e restringiriam o comércio de agricultores, trabalhadores, empresas de tecnologia e exportadores norte-americanos. O órgão informou que ainda está aberto à continuidade das negociações com o governo brasileiro.

O governo federal contesta as acusações e afirma que não existe fundamento comercial ou técnico para vincular o funcionamento do Pix à aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que a nova cobrança deverá alcançar aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Com base nos resultados de 2024, o volume atingido seria equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões.

A administração brasileira mantém o diálogo diplomático com Washington, mas também avalia instrumentos de defesa comercial caso não haja avanço nas negociações. Entre as possibilidades está a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao país adotar contramedidas diante de barreiras impostas às exportações nacionais.

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