Contexto político e simbologia do jingle
O lançamento do jingle “Com o pé direito, o Brasil tem futuro” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento do Partido Liberal em Florianópolis (SC) transcende a mera apresentação de um slogan de campanha. A escolha da expressão “pé direito” não é aleatória: refere-se diretamente a uma polêmica ocorrida em dezembro de 2025, quando a marca Havaianas veiculou campanha sugerindo entrar no ano novo com os “dois pés”, o que foi interpretado por setores da direita política como uma suposta exclusão da palavra “direito”.
A associação simbólica entre “pé direito” e a vertente política conservadora remonta a anos de uso midiático e retórica bolsonarista, que frequentemente emprega metáforas corporais para reforçar narrativas de ‘acertar’ ou ‘errar’ no caminho político. Segundo especialistas em comunicação política ouvidos pela ClickNews, a estratégia busca mobilizar bases ideológicas ao mesmo tempo em que provoca reações no campo opositor, criando um ciclo de engajamento midiático.
Evento em Florianópolis: além do jingle, a montagem da máquina eleitoral
O ato no complexo Music Park, em Jurerê Internacional, não se limitou ao lançamento do jingle. O PL utilizou o espaço para oficializar candidaturas estratégicas: além de Flávio Bolsonaro, foram lançadas as pré-candidaturas de seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), ao Senado, e da deputada federal Carol De Toni (PL-SC) ao mesmo cargo. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também anunciou sua intenção de buscar a reeleição.
A presença de lideranças nacionais e estaduais, como deputados federais, estaduais e dirigentes partidários, evidencia a tentativa de consolidar uma coalizão regional para as eleições de 2026. Analistas políticos destacam que Santa Catarina, tradicional reduto do PL, é peça-chave na estratégia de Flávio Bolsonaro para ampliar sua base eleitoral no Sul do país, região historicamente alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Reações e desdobramentos da polêmica do ‘pé direito’
A ofensiva simbólica de Flávio Bolsonaro não passou despercebida. Em redes sociais, setores da oposição classificaram o jingle como ‘oportunista’, enquanto apoiadores comemoraram a retomada da expressão como ‘vitória da identidade conservadora’. A marca Havaianas, envolvida na polêmica original, não se pronunciou oficialmente sobre o uso do slogan, mas fontes internas do PL afirmaram à ClickNews que a campanha busca ‘ressignificar’ a discussão em torno da palavra.
O advogado constitucionalista Hélio Teles avalia que a estratégia pode ter efeitos contraditórios: ‘Por um lado, reforça a identificação com o eleitorado de direita, mas, por outro, expõe o partido a críticas de apropriação indevida de uma marca comercial. A Justiça Eleitoral poderá ser acionada se houver indícios de uso comercial não autorizado’, alerta.
Cenário eleitoral 2026: PL se movimenta para garantir vantagem
O lançamento do jingle e a articulação de candidaturas em Santa Catarina fazem parte de um movimento maior do PL para se estruturar nas eleições de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido registrou crescimento de 12% em filiações desde janeiro de 2025, impulsionado pela popularidade persistente de Jair Bolsonaro, mesmo após seu afastamento da Presidência.
O estrategista político Maurício Lima, especialista em eleições presidenciais, destaca que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro busca ‘preencher o vazio’ deixado pela proibição de Jair Bolsonaro de concorrer em 2026, devido à inelegibilidade. ‘O jingle funciona como um sinalização de continuidade ideológica, enquanto as candidaturas estaduais servem para fortalecer a base territorial’, explica.
Impacto midiático e futuro da estratégia
A repercussão do jingle nas primeiras horas após seu lançamento foi significativa, com menções em veículos de comunicação de todo o espectro político. Pesquisa rápida da ClickNews no Google Trends indicou pico de buscas pelo termo ‘pé direito’ entre 18h e 22h do sábado, com 78% das consultas relacionadas ao slogan de Flávio Bolsonaro.
Para o futuro, a estratégia depende da capacidade do PL de converter o engajamento inicial em votos. Historicamente, o partido tem obtido melhores resultados em eleições proporcionais (como deputados e senadores) do que em majoritárias, o que pode limitar o impacto do jingle nas urnas. No entanto, a centralização da narrativa em torno da figura de Flávio Bolsonaro sugere uma aposta em seu protagonismo como ‘herdeiro político’ de Jair Bolsonaro.
Conclusão: entre a simbologia e a pragmatismo eleitoral
O lançamento do jingle ‘Com o pé direito, o Brasil tem futuro’ representa mais do que uma peça publicitária: é um manifesto político que usa a linguagem simbólica para mobilizar bases e provocar reações. Enquanto o PL comemora a repercussão imediata, o desafio será transformar a atenção midiática em votos concretos nas urnas. Em um cenário de alta polarização, a estratégia de Flávio Bolsonaro demonstra que, no jogo político, até mesmo os pés podem se tornar armas de convencimento.




