Governo de Donald Trump anuncia concessão de vistos ao senador, que deixou o Brasil em meio a uma investigação da Polícia Federal e a uma determinação judicial para entregar seus passaportes
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, chegou aos Estados Unidos acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A informação foi confirmada por fontes vinculadas à administração norte-americana, que também indicaram que o governo do presidente Donald Trump concederá vistos ao parlamentar e a seus familiares para permitir a entrada e a permanência no território americano.
A viagem ocorre em meio a desdobramentos de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), na qual Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. Antes de deixar o país, o senador havia sido intimado a apresentar seus passaportes às autoridades brasileiras no prazo de 24 horas.
Em declaração à agência internacional de notícias AFP, um integrante de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a decisão do governo americano de autorizar a entrada da família.
“O Departamento de Estado concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, afirmou uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado à agência de notícias AFP.
Viagem aos Estados Unidos teria ocorrido pela Argentina
Informações divulgadas pelo jornal argentino Infobae apontam que Flávio Bolsonaro teria utilizado a Argentina como rota para chegar aos Estados Unidos.
Segundo a publicação, o parlamentar teria atravessado a fronteira brasileira em direção ao território argentino e, posteriormente, embarcado para os Estados Unidos.
A reportagem do veículo argentino apresenta essa possibilidade como o trajeto utilizado pelo senador após sua saída do Brasil.
Senador havia negado intenção de deixar o Brasil
A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorre depois de o parlamentar ter declarado publicamente que permaneceria em território brasileiro.
Na terça-feira (27), após receber uma intimação para entregar seus passaportes no prazo de 24 horas, o senador publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou que pretendesse sair do país.
Na manifestação, Flávio afirmou que continuaria no Brasil para atuar na articulação política da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno das eleições presidenciais realizado no domingo (25).
A declaração foi divulgada em meio aos desdobramentos da investigação que envolve o parlamentar e às medidas judiciais determinadas contra ele.
Investigação da PF motivou ordem de entrega dos passaportes
A determinação para que Flávio Bolsonaro apresentasse seus passaportes foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
Além do senador, a investigação envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do parlamentar.
A medida judicial estabeleceu um prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. A notícia da saída do senador do território nacional provocou novas iniciativas de parlamentares da oposição ao ex-candidato presidencial.
Deputados do PT solicitam prisão preventiva e alerta da Interpol
Após a divulgação das informações sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, deputados federais do Partido dos Trabalhadores apresentaram um pedido de prisão preventiva contra o senador.
A solicitação também prevê que, caso a Justiça determine a prisão, o nome do parlamentar seja incluído na lista de difusão vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), mecanismo utilizado para comunicar às autoridades policiais de diferentes países a existência de pessoas procuradas pela Justiça.
A iniciativa foi apresentada pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG).
Os parlamentares protocolaram o pedido depois que começaram a circular notícias sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e sua chegada aos Estados Unidos.
O requerimento de prisão preventiva e a eventual inclusão do senador na lista de alertas da Interpol dependem de decisões das autoridades competentes.




