Contexto político e judicial em torno da Lei da Dosimetria
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República, se reunirá com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, nesta quarta-feira (13.mai.2026), para discutir a aplicação da Lei 15.402/2026. Promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no dia 8 de maio, a legislação prevê a redução de penas para condenados nos atos do 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A agenda, inicialmente prevista como pauta institucional, ganha contornos políticos diante do contexto eleitoral e das tensões entre os poderes.
Reunião com Fachin: estratégia de Flávio Bolsonaro
A pauta central da reunião entre Flávio e Fachin diz respeito à manutenção da Lei 15.402/2026, que altera a dosimetria das penas para condenados pelo golpe de Estado tentado em Brasília em 8 de janeiro de 2023. O senador defende que a competência para legislar sobre matéria penal é do Congresso Nacional, e que a intervenção do STF, por meio do ministro Alexandre de Moraes, representa uma suposta ingerência na pauta legislativa. A estratégia de Flávio Bolsonaro também inclui sua apresentação formal a Fachin enquanto pré-candidato à Presidência, buscando consolidar sua imagem como interlocutor institucional.
Ação de Moraes e suspensão da lei
No sábado (9.mai.2026), o ministro Alexandre de Moraes, relator das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.966 e 7.967 — apresentadas pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e pela federação Psol-Rede —, suspendeu a aplicação da Lei 15.402/2026 até que o plenário do STF julgue sua constitucionalidade. Moraes argumentou que a aplicação imediata da lei poderia gerar decisões judiciais irreversíveis caso a norma seja posteriormente declarada inconstitucional. A decisão impede que juízes revisem as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro enquanto a questão não for resolvida pelo tribunal.
Base legal e desdobramentos judiciais
A Lei 15.402/2026, sancionada em regime de urgência pelo Senado, estabelece que condenados por crimes relacionados ao golpe de Estado teriam suas penas reduzidas em até 50%, dependendo da gravidade do delito. A norma também beneficia outros réus condenados em processos judiciais distintos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde por crimes como abuso de autoridade e associação criminosa. A ADI apresentada pela ABI questiona a constitucionalidade da lei com base no argumento de que ela viola o princípio da individualização da pena, enquanto a ação do Psol-Rede alega que a legislação fere a separação de poderes ao restringir a atuação do Judiciário.
Tensão entre poderes e cenário eleitoral
A reunião entre Flávio Bolsonaro e Fachin ocorre em um momento de alta tensão entre o Legislativo e o Judiciário, marcado por disputas sobre a interpretação de normas e a competência para legislar. O PL, partido do senador e do ex-presidente, tem sido um dos principais críticos à atuação do STF, especialmente em casos envolvendo figuras políticas. A agenda de Flávio Bolsonaro com Fachin também reflete uma estratégia de aproximação com a Corte, ainda que mantendo críticas públicas ao Judiciário. Para especialistas, o encontro pode sinalizar uma tentativa de negociar a manutenção da lei ou, pelo menos, de evitar uma decisão definitiva do STF antes das eleições de 2026.
Impacto na Justiça e nos condenados
A suspensão da Lei 15.402/2026 pela decisão de Moraes tem consequências práticas imediatas para os condenados pelos atos do 8 de Janeiro. Juízes que aguardavam a aplicação da lei para reajustar penas terão de manter os processos em suspenso, o que pode gerar impasses em casos já julgados. A medida também amplia a incerteza jurídica para os réus, que veem suas expectativas de redução de pena adiadas até a definição do STF. Advogados de defesa, por sua vez, comemoraram a decisão, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.
Perspectivas e próximos passos
O encontro entre Flávio Bolsonaro e Fachin nesta quarta-feira será acompanhado de perto por analistas políticos e juristas, que buscam antecipar os desdobramentos da questão. Enquanto o STF não julga as ADIs, a lei permanece paralisada, e a estratégia de Flávio depende da capacidade de persuasão junto ao presidente da Corte. Caso a Lei 15.402/2026 seja mantida, ela poderá ter impacto eleitoral significativo em 2026, especialmente entre os eleitores que apoiam ou criticam as ações do Judiciário. Para o STF, a decisão sobre a constitucionalidade da lei também será um teste de sua autoridade frente ao Congresso e à sociedade.




