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Fechamento de matadouro reacende debate sobre consumo de carne de cães na China

João
12 de junho de 2026 às 06:03
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Fechamento de matadouro reacende debate sobre consumo de carne de cães na China

Imagem ilustrativa gerada por IA

ONG estima que milhões de cães e gatos sejam abatidos anualmente no país asiático

Encerramento de estabelecimento ocorre antes de festival tradicional

 

A poucos dias da realização do Festival de Yulin, evento que ficou conhecido internacionalmente pela comercialização e consumo de carne de cachorro na China, o encerramento das atividades de um matadouro especializado no abate desses animais trouxe novamente à tona a discussão sobre a prática no país.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal South China Morning Post, o estabelecimento, localizado no sul da China, interrompeu suas operações no último domingo (7). Ao longo de quase duas décadas de funcionamento, o local teria abatido mais de 15 mil cães destinados ao abastecimento de restaurantes e mercados que atuam durante o tradicional festival.

A decisão chamou a atenção de organizações de defesa animal e reacendeu o debate sobre o comércio de carne de cães e gatos, uma atividade que segue gerando críticas dentro e fora do país.

Organização denuncia números elevados de abate

Segundo a Humane World for Animals, cerca de 10 milhões de cães e 4 milhões de gatos são mortos todos os anos na China para consumo humano. A entidade afirma que parte significativa dessa cadeia comercial está associada a práticas ilegais envolvendo animais domésticos.

A organização sustenta que muitos dos cães e gatos destinados ao abate são provenientes de furtos de animais de estimação ou da captura de animais que vivem nas ruas. Após serem recolhidos, eles costumam ser transportados em condições consideradas precárias.

Conforme a entidade, os animais frequentemente são colocados em gaiolas superlotadas e submetidos a longos períodos de deslocamento. Durante o transporte, diversos deles não sobrevivem devido à desidratação, ferimentos, falta de ventilação adequada, insolação e sufocamento.

Acordo com ativistas contribuiu para fechamento

Para a Humane World for Animals, o encerramento das atividades do matadouro representa uma mudança significativa na forma de abordar o problema do comércio de carne de cães na China.

A instituição classificou o episódio como uma “conquista monumental”, destacando que a iniciativa não ocorreu por imposição das autoridades, mas a partir de um acordo firmado entre ativistas e o proprietário do estabelecimento.

O modelo adotado buscou oferecer alternativas econômicas ao empresário, permitindo que ele deixasse a atividade sem sofrer prejuízos irreversíveis.

O proprietário, cuja identidade não foi divulgada, afirmou ter recebido apoio para iniciar um novo empreendimento após abandonar o setor.

“Sem o apoio deste programa, eu não teria conseguido fazer essa mudança de vida, mas acho que muitos outros estabelecimentos de abate de cães em Yulin optariam por fechar se tivessem esse tipo de apoio”, disse o homem não identificado.

Entidade defende transição para novos modelos de negócio

A Humane World for Animals acredita que o caso pode servir de exemplo para futuras ações voltadas à redução do comércio de carne de cães e gatos na China.

Em comunicado, a organização defendeu que autoridades locais adotem estratégias de cooperação com comerciantes interessados em abandonar a atividade, oferecendo condições para a transição para outros segmentos econômicos.

“Nossa esperança é que as autoridades de Yulin vejam o que os formuladores de políticas na Coreia do Sul já viram: que é possível desmantelar o comércio em cooperação com os comerciantes, em vez de em conflito, desde que recebam apoio na transição para um novo modelo. Este pode ser apenas o primeiro de muitos outros casos semelhantes”, diz um comunicado da Humane World for Animals.

O episódio ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre práticas relacionadas ao consumo de carne de cães e gatos em países asiáticos, especialmente durante eventos tradicionais que costumam atrair atenção de organizações de proteção animal em todo o mundo.

 

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