O uso excessivo de telas tem sido associado a uma diminuição na socialização e no desenvolvimento infantil
Com as férias escolares em pleno andamento, pais e responsáveis enfrentam um desafio recorrente: equilibrar o uso de tecnologias digitais pelas crianças. Embora tablets, smartphones e computadores sejam ferramentas de entretenimento e aprendizado, especialistas advertem sobre os riscos do excesso, especialmente quando essas atividades substituem brincadeiras tradicionais, exercícios físicos ou momentos de descanso.
O impacto das telas na saúde infantil: sono, atividade física e desenvolvimento social
Um estudo publicado em 2024 no American Journal of Health Promotion, com dados atualizados até 2026, revelou que crianças com maior exposição a dispositivos móveis apresentam queda de 30% na qualidade do sono e redução de 40% na prática de atividades físicas diárias. A pediatra Silvia Nigro, do Núcleo de Pediatria do Hospital Albert Einstein, explica que o uso noturno de telas é especialmente prejudicial, pois a luz azul emitida pelos aparelhos inibe a produção de melatonina, hormônio essencial para o sono reparador.
A recomendação dos especialistas: limites claros e rotinas saudáveis
A Dra. Lucila Faria, do Hospital Sírio-Libanês, reforça a necessidade de estabelecer horários para o uso de dispositivos. Segundo ela, “as crianças devem interromper as telas pelo menos 60 minutos antes da hora de dormir, para que o cérebro possa se preparar para o descanso”. Além disso, a especialista sugere que os pais criem rotinas alternativas, como leitura de livros físicos, jogos de tabuleiro ou passeios ao ar livre, para reduzir a dependência da tecnologia.
Sinais de alerta: quando o lazer digital vira um problema
Os especialistas destacam que alguns comportamentos podem indicar que o uso de telas está se tornando prejudicial:
- Dificuldade em adormecer ou sono interrompido;
- Irritabilidade ou cansaço excessivo durante o dia;
- Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas;
- Redução significativa no tempo de interação com outras crianças ou adultos.
A Dra. Nigro recomenda que, em casos de resistência às mudanças por parte das crianças, os pais procurem orientação de um pediatra para avaliar a necessidade de acompanhamento psicológico ou terapia ocupacional.
O papel dos pais: como equilibrar tecnologia e desenvolvimento infantil
Para evitar que o lazer digital se transforme em um problema, os especialistas sugerem que as famílias adotem algumas práticas:
- Criar um cronograma diário que inclua tempo para atividades físicas, interações sociais e uso controlado de telas;
- Estabelecer zonas livres de tecnologia, como refeições e quartos, para incentivar conversas e brincadeiras sem distrações;
- Priorizar atividades ao ar livre, como passeios em parques ou brincadeiras no quintal, para estimular o movimento e a socialização;
- Ser um exemplo: os pais devem também reduzir o uso de telas em momentos de convivência familiar.
A data de 19 de julho de 2026 serve como marco para refletir sobre como as férias escolares podem ser aproveitadas de forma equilibrada, sem que a tecnologia se torne um obstáculo para o desenvolvimento saudável das crianças.




