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Ex-funcionário preso por homicídio em SC acumula condenação por sequestro no Pará: trajetória de violência e impunidade

Redação
13 de maio de 2026 às 14:30
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Ex-funcionário preso por homicídio em SC acumula condenação por sequestro no Pará: trajetória de violência e impunidade

Foto: Redação Central

Contexto histórico e antecedentes criminais

Alfredo Fraga dos Santos, 42 anos, foi preso na manhã desta segunda-feira (15) pela Polícia Civil de Santa Catarina sob a acusação de ter assassinado o empresário Alfredo Fraga dos Santos (nome coincidente, mas pessoas distintas), cujo corpo foi encontrado em um matagal às margens da BR-470, em Gaspar (SC). O caso, que ganha contornos ainda mais complexos, revela um histórico criminal que remonta a 2018, quando Fraga foi condenado por sequestro e cárcere privado de uma médica no estado do Pará. A decisão judicial, proferida pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), resultou em uma pena de 12 anos de reclusão, mas o condenado cumpriu apenas parte da sanção antes de ser libertado por benefícios legais, como progressão de regime.

A dinâmica do crime em Santa Catarina

O assassinato do empresário Alfredo Fraga dos Santos ocorreu em 10 de outubro de 2023, em Balneário Camboriú, um dos municípios mais turísticos de Santa Catarina. Segundo depoimentos de testemunhas e laudos preliminares, a vítima foi alvejada por disparos de arma de fogo em um estacionamento próximo à Avenida Atlântica, área de grande circulação. O corpo foi localizado três dias depois, parcialmente decomposto, em uma região de mata fechada próxima à rodovia BR-470, o que dificultou inicialmente a identificação do cadáver. A perícia criminal confirmou a presença de projéteis compatíveis com uma pistola calibre .380, arma frequentemente associada a crimes de maior gravidade.

Investigação e motivações: um quebra-cabeças ainda incompleto

A Polícia Civil de Santa Catarina, sob o comando da Delegacia de Homicídios de Balneário Camboriú, vem conduzindo as investigações com base em denúncias anônimas e registros de câmeras de segurança. Fontes próximas ao inquérito revelaram que Fraga e a vítima mantinham uma relação profissional tensa, possivelmente envolvendo dívidas ou desentendimentos financeiros. No entanto, a polícia não descarta a hipótese de um crime passional ou até mesmo um acerto de contas ligado ao passado criminal de Fraga no Pará. A ausência de sinais de luta no local do crime sugere um planejamento prévio, o que reforça a tese de autoria intencional.

O passado no Pará: sequestro e um padrão de violência

Em 2018, Alfredo Fraga dos Santos foi denunciado pelo Ministério Público do Pará por sequestrar uma médica anestesista em Belém, mantendo-a refém por 72 horas em um imóvel na região metropolitana. O crime, que chocou a sociedade paraense, teve motivação financeira: Fraga exigia o pagamento de uma dívida não especificada, segundo relatos da época. A vítima, após ser libertada ilesa, colaborou com as investigações, levando à prisão do agressor. O julgamento, realizado em 2020, resultou na condenação de Fraga a 12 anos de prisão, mas ele obteve a progressão para regime semiaberto em 2022, após o cumprimento de 1/6 da pena. Especialistas em segurança pública questionam a celeridade do sistema judiciário, que permitiu a reinserção de um indivíduo com histórico de crimes violentos na sociedade.

Impacto no sistema penal: reincidência e falhas estruturais

O caso reacende um debate recorrente no Brasil: a eficácia das políticas de ressocialização e a problemática da reincidência criminal. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que, entre 2017 e 2022, cerca de 30% dos egressos do sistema prisional voltaram a cometer crimes após a liberdade. A situação de Fraga não é isolada: a falta de acompanhamento psicossocial, a superlotação carcerária e a morosidade judicial são frequentemente apontadas como fatores que contribuem para a reincidência. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) não comentou o caso, mas fontes internas admitem a necessidade de revisão nos critérios de progressão de regime.

Desdobramentos jurídicos e perspectivas futuras

Com a prisão de Alfredo Fraga dos Santos, a Justiça Catarinense deverá analisar as provas apresentadas pela polícia, incluindo depoimentos, laudos balísticos e possíveis gravações de áudio ou vídeo. Caso seja confirmada a autoria, Fraga poderá enfrentar uma pena de até 30 anos de reclusão, conforme o Código Penal Brasileiro. Além disso, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) já sinalizou a possibilidade de incluir o caso do Pará em nova denúncia, configurando um processo por crimes conexos. A defesa do acusado ainda não se manifestou publicamente, mas advogados especializados em direito penal apontam para a necessidade de um exame psiquiátrico, dado o histórico de Fraga.

Reflexos sociais e a busca por justiça

A comunidade de Balneário Camboriú, já impactada por altos índices de criminalidade, vê no caso um exemplo da impunidade que permeia o sistema de segurança pública. Familiares da vítima exigem celeridade na Justiça, enquanto organizações não governamentais (ONGs) como o Instituto Sou da Paz cobram a implementação de programas de prevenção à violência e reintegração social. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, afirmou em coletiva de imprensa que o caso será tratado com prioridade, mas não detalhou medidas específicas. Enquanto isso, a sociedade aguarda por respostas que possam evitar novos casos como este.

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