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Eurovision 2024: Análise Técnica das 35 Canções Competitivas e suas Controvérsias

Redação
8 de maio de 2026 às 21:16
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Eurovision 2024: Análise Técnica das 35 Canções Competitivas e suas Controvérsias

Foto: Redação Central

Contexto Histórico e Evolução do Eurovision

Desde sua criação em 1956 como um projeto de reconciliação pós-Segunda Guerra Mundial, o Eurovision Song Contest transformou-se em um fenômeno global, onde música, política e identidade nacional se entrelaçam. A edição de 2024, realizada em Malmo — cidade sueca conhecida por sua abordagem progressista —, destacou-se pela ausência da Rússia, banida em 2022 devido à invasão da Ucrânia, e pela presença de Israel, cuja participação gerou protestos em vários países europeus. A competição manteve sua tradição de dois semifinalistas e uma final televisionada, mas introduziu mudanças no sistema de votação, com maior peso para júris profissionais e redução da influência de blocos regionais.

Análise Técnica das 35 Canções: Diversidade e Inovação

A competição de 2024 apresentou uma gama de estilos musicais, desde o synth-pop de “The Code” da Suíça até o folk eletrônico de “11:11” da Hungria. A Irlanda, representada por Bambie Thug com “Doomsday Blue”, apostou em uma fusão de rock gótico e dance, enquanto a Finlândia, com “No Rules!” de Windows95man, levou ao palco uma performance de pixel art e distorção vocal extrema. A Itália, com Angelina Mango e “La Noia”, optou por um som mediterrâneo contemporâneo, enquanto a Alemanha, representada por Isaak com “Always on the Run”, explorou influências hip-hop e R&B.

A Suécia, anfitriã do evento, escolheu Marcus & Martinus com “Unforgettable”, uma balada pop otimista que refletiu a política de neutralidade do país. Já a Ucrânia, com Alyona Alyona e Jerry Heil em “Teresa & Maria”, apresentou uma canção folk-rap que homenageava a resistência ucraniana, com letras diretamente ligadas à guerra. A Espanha, com Nebulossa e “Zorra”, surpreendeu ao incluir uma crítica social velada contra o machismo, enquanto a França, com Slimane e “Mon amour”, seguiu a tradição de baladas românticas que costumam pontuar a competição.

Controvérsias e Críticas Políticas

A participação de Israel gerou manifestações em diversos países, com ativistas acusando a EBU (European Broadcasting Union) de permitir o uso da competição para ‘lavagem de imagem’ do governo israelense. Em reação, a Irlanda e a Islândia boicotaram a apresentação israelense durante a votação. Além disso, a canção “Anti-War Anthem” da Lituânia, interpretada por Silvester Belt, foi acusada de simplificar demais o conflito na Ucrânia, reduzindo-o a um slogan. Boy George, que participou como backing vocal na canção britânica “Dizzy” de Olly Alexander, gerou polêmica ao defender publicamente a performance, apesar de críticas à letra considerada ‘confusa’ pela imprensa especializada.

Desempenho Crítico e Recepção do Público

A crítica especializada destacou a performance da Suíça, “The Code”, como a mais inovadora, com arranjos que lembraram as produções de Max Martin, enquanto a canção da Moldávia, “Stefania” de Natalia Barbu, foi elogiada por sua originalidade folk-electrônica. No entanto, o público europeu preferiu canções mais acessíveis, como “11:11” da Hungria e “The Tower” da Georgia, que lideraram as pesquisas online. A Itália, com Angelina Mango, foi a grande favorita dos fãs, enquanto a Espanha, apesar de sua inovação temática, não figurou entre os dez primeiros na votação do júri profissional.

Vencedores e Nul Points: Uma Análise de Votos

A vitória da Suíça com “The Code” (283 pontos) surpreendeu analistas, que esperavam um desempenho maior da Itália ou da Ucrânia. O segundo lugar da Itália (209 pontos) e o terceiro da Ucrânia (192 pontos) confirmaram a tendência de canções com apelo emocional forte. O Reino Unido, representado por Olly Alexander, terminou em 3º lugar no júri profissional, mas obteve apenas 24 pontos do público, totalizando 46 pontos — um resultado aquém das expectativas, especialmente após a vitória em 2022 com Sam Ryder. A canção britânica, “Dizzy”, foi criticada por sua letra ambígua e performance considerada ‘forçada’.

A distribuição de ‘nul points’ (zero pontos) — um fenômeno raro na história do Eurovision — ocorreu para o Reino Unido, que não recebeu pontos do público em nenhum país, refletindo a polarização em torno de sua participação. A Alemanha, por sua vez, também não obteve pontos do público, enquanto a Áustria e a República Tcheca receberam apenas um ponto cada, em um sinal de que a competição cada vez mais premia canções com apelo universal, em detrimento de propostas artísticas mais nichadas.

Impacto Cultural e Legado da Edição 2024

A Eurovisão 2024 reforçou seu papel como um espelho das tensões sociais europeias, onde arte e política colidem. A ausência de ‘nul points’ para dois países simultaneamente (algo que não acontecia desde 2017) levantou debates sobre a transparência do sistema de votação, amplamente dominado por blocos regionais. Além disso, a participação de artistas não-binários, como Bambie Thug (Irlanda) e Silvester Belt (Lituânia), sinalizou uma abertura progressista, ainda que timidamente contestada por setores conservadores.

Para 2025, a competição será realizada em Liverpool, Reino Unido, um gesto de solidariedade após a vitória britânica em 2022. A escolha da cidade, que não faz parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (mas sim da Irlanda do Norte, parte do Reino Unido), já gerou discussões sobre identidade nacional e representação. Enquanto isso, a Eurovisão continua a evoluir, buscando equilibrar tradição e inovação em um mundo cada vez mais polarizado.

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