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Erupção vulcânica na Indonésia deixa três mortos: dois singapurianos e uma moradora de Ternate

Redação
8 de maio de 2026 às 21:36
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Erupção vulcânica na Indonésia deixa três mortos: dois singapurianos e uma moradora de Ternate

Foto: Redação Central

Contexto geológico e histórico do vulcão Ruang

O vulcão Ruang, localizado na ilha homônima pertencente à província de Sulawesi do Norte, na Indonésia, é um dos mais ativos do país. Com uma história de erupções documentadas desde 1808, o Ruang pertence ao Anel de Fogo do Pacífico — uma faixa de intensa atividade sísmica e vulcânica que se estende do Sudeste Asiático até as Américas. A erupção mais recente antes deste evento havia ocorrido em 2002, quando fluxos piroclásticos danificaram infraestruturas na ilha e forçaram evacuações. Especialistas do Center for Volcanology and Geological Hazard Mitigation (CVGHM) monitoravam o Ruang desde março de 2024, quando um aumento na atividade sísmica foi detectado, incluindo tremores vulcanotectônicos e emissões de gás sulfuroso.

Detalhes da erupção e vítimas fatais

A erupção ocorreu na madrugada de 17 de abril de 2024, por volta das 01h30 (horário local), lançando uma coluna de cinzas e rochas a mais de 15 km de altitude. Segundo o National Disaster Mitigation Agency (BNPB) da Indonésia, os dois cidadãos singapurianos — identificados como um homem de 30 anos e outro de 27 anos — estavam em Ternate, cidade costeira a cerca de 100 km do vulcão, possivelmente como turistas ou em viagem de negócios. A terceira vítima, uma mulher local não identificada, residia em Ternate e teria sido atingida por detritos vulcânicos enquanto tentava se abrigar. Autoridades não descartam a possibilidade de mais vítimas, dado o alcance dos fluxos piroclásticos em áreas residenciais.

Resposta das autoridades e protocolos de emergência

O BNPB elevou o nível de alerta para o mais alto (Nível 4) e ordenou a evacuação imediata de cerca de 12 mil moradores das ilhas Ruang e Tagulandang, vizinhas ao vulcão. Helicópteros das Forças Armadas da Indonésia foram mobilizados para resgatar cerca de 800 pessoas ainda em áreas de risco, enquanto a Marinha bloqueou acessos marítimos para evitar evasão desordenada. O aeroporto internacional de Ternate foi fechado temporariamente, afetando voos domésticos e internacionais. O ministro indonésio de Energia e Recursos Minerais, Arifin Tasrif, afirmou em coletiva de imprensa que ‘a situação é crítica, mas controlada’, embora especialistas alertem para o risco de novas erupções nas próximas 72 horas.

Impacto regional e alertas internacionais

A erupção do Ruang gerou repercussões além das fronteiras indonésias. Singapura, através do Ministério das Relações Exteriores, divulgou um comunicado expressando ‘profundo pesar’ pelas mortes de seus cidadãos e oferecendo apoio logístico à Indonésia. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu alerta para possíveis perturbações no tráfego aéreo na região do Sudeste Asiático, devido à dispersão da nuvem de cinzas. Além disso, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) convocou uma reunião de emergência para discutir mecanismos de resposta conjunta a desastres naturais, dada a recorrência de eventos semelhantes na Indonésia nos últimos anos (ex.: erupção do Merapi em 2021 e do Semeru em 2022).

Análise de especialistas sobre os riscos futuros

O vulcanólogo Dr. Surono, ex-diretor do CVGHM, destacou que ‘o Ruang está em um ciclo de alta atividade, com erupções a cada 20-30 anos’. Ele alertou para o risco de tsunamis, já que colapsos de flancos vulcânicos podem deslocar grandes volumes de água. O geólogo ambiental Dr. Tia Rahmawati, da Universidade Gadjah Mada, acrescentou que ‘a Indonésia precisa investir em sistemas de alerta precoce integrados e em programas de educação pública’, citando falhas na comunicação durante a erupção do Anak Krakatau em 2018, que causou mais de 400 mortes. O BNPB, por sua vez, anunciou a revisão de planos de contingência para 2025, incluindo a instalação de sirenes em comunidades costeiras.

Consequências socioeconômicas e humanitárias

As ilhas Ruang e Tagulandang, com população combinada de aproximadamente 15 mil habitantes, enfrentam agora uma crise humanitária. A agricultura local, baseada no cultivo de coco e cacau, foi severamente afetada pela chuva de cinzas, que comprometeu solos e fontes de água. O governo indonésio anunciou um fundo de emergência de Rp 50 bilhões (cerca de US$ 3,2 milhões) para reconstrução, mas ONGs como a International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (IFRC) alertam para a necessidade de auxílio internacional prolongado. Além disso, o setor turístico da região — que depende de mergulho e ecoturismo — enfrenta um colapso imediato, com cancelamento de reservas para os próximos seis meses.

Lições aprendidas e perspectivas globais

A erupção do Ruang reacendeu debates sobre a gestão de riscos vulcânicos em países em desenvolvimento. Segundo o Global Volcano Model, 80% das pessoas expostas a riscos vulcânicos vivem em países com baixos índices de desenvolvimento, onde sistemas de monitoramento são escassos ou subfinanciados. A Indonésia, que abriga 127 vulcões ativos — cerca de 13% do total global —, tem investido em tecnologia, mas enfrenta desafios como corrupção e falta de coordenação entre agências. Especialistas como o Dr. Janine Krippner, da Smithsonian Institution, defendem que ‘a ciência deve ser aliada à política pública’, citando o exemplo do Japão, onde sistemas de alerta salvaram milhares de vidas durante a erupção do Ontake em 2014.

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