Fenômeno climático deve acelerar demanda por produtos de calor e pressionar varejistas a reorganizarem estoques e campanhas
Mudanças climáticas alteram planejamento do varejo online
A previsão de atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 já provoca impactos no planejamento do e-commerce brasileiro. Estudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o inverno deste ano deverá ser mais curto, com temperaturas elevadas retornando ainda em agosto.
O cenário vem levando varejistas a rever estratégias comerciais, especialmente no segmento de produtos sazonais. A expectativa é de redução na procura por itens típicos do inverno e aumento antecipado da demanda por equipamentos e produtos ligados ao verão.
Estoques e campanhas entram no centro das atenções
De acordo com análise da consultoria HimmelCORP, o período de frio mais intenso deverá ficar concentrado entre junho e a primeira metade de julho de 2026. A mudança exige ajustes rápidos em estoques, logística e campanhas publicitárias para evitar prejuízos operacionais.
Levantamentos realizados pela empresa desde 2024, com cruzamento de dados climáticos e hábitos de consumo, mostram que produtos como cobertores, aquecedores e roupas pesadas tendem a perder força já no fim de julho. Em contrapartida, aparelhos de ar-condicionado, ventiladores, piscinas e trajes de banho devem registrar procura antecipada.
O fundador e CEO da HimmelCORP, Lucas Schwichtemberg, afirma que o clima passou a ter influência direta sobre a dinâmica do comércio digital. “O clima agora dita o ritmo do marketplace. Quem insistir em campanhas genéricas ou esperar outubro para estocar ar-condicionado vai queimar dinheiro e ver sua operação tomar prejuízo.”
Especialistas recomendam reação rápida do setor
Para reduzir riscos financeiros e evitar excesso de mercadorias paradas, especialistas recomendam que empresas do varejo iniciem imediatamente uma revisão de seus estoques sazonais.
Entre as principais medidas sugeridas estão a diminuição das compras de produtos de inverno, o reforço de campanhas segmentadas por região e temperatura, além da ampliação de acordos com fornecedores para garantir maior flexibilidade na reposição de mercadorias.
Outro ponto considerado estratégico é o monitoramento constante de indicadores econômicos e climáticos, incluindo projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e índices inflacionários como o IPCA.
Setor tenta evitar prejuízos registrados em anos anteriores
A antecipação do calor é vista pelo mercado como mais um desafio para o varejo brasileiro, que ainda enfrenta reflexos econômicos dos últimos anos, marcados por juros elevados e mudanças no comportamento do consumidor.
Especialistas alertam que empresas que não conseguirem adaptar rapidamente suas operações poderão repetir problemas registrados em 2023, quando falhas no planejamento de estoques provocaram perdas estimadas em R$ 2,1 bilhões no varejo nacional, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Com a influência crescente dos eventos climáticos sobre o consumo, o uso de inteligência de dados e previsões meteorológicas tende a se tornar cada vez mais essencial para a competitividade do comércio eletrônico no país.




