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Eduardo Bolsonaro admite investir US$ 50 mil em filme sobre pai, mas nega vínculo com Vorcaro

Redação
15 de maio de 2026 às 19:55
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Eduardo Bolsonaro admite investir US$ 50 mil em filme sobre pai, mas nega vínculo com Vorcaro

Foto: PODER360

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) rompeu o silêncio nesta sexta-feira (15.mai.2026) para negar, em vídeo publicado em suas redes sociais, ter recebido qualquer tipo de auxílio financeiro do empresário Daniel Vorcaro — fundador do Banco Master — para o desenvolvimento do longa-metragem Dark Horse, obra que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

A declaração surge após nova reportagem do Intercept Brasil revelar que Eduardo não apenas atuou como produtor-executivo do filme, mas também possuía poderes para gerir recursos financeiros do projeto, incluindo a aprovação de movimentações de caixa. Até então, o ex-parlamentar havia afirmado em entrevistas que não participava da gestão financeira da produção.

O contrato milionário e a gestão de recursos

Em depoimento gravado e veiculado em suas plataformas digitais, Eduardo Bolsonaro admitiu ter celebrado um contrato com a produtora GoUp Entertainment para a contratação de diretores de Hollywood e o desenvolvimento do roteiro do filme. Segundo ele, o montante investido — cerca de US$ 50 mil (equivalente a R$ 350 mil na época) — foi integralmente arcado por seu curso Ação Conservadora, convertidos em moeda estrangeira.

“Àquela época, o meu contrato era com a produtora, que disse: ‘Eduardo, bota esse dinheiro aqui. Como o risco é 100% seu, eu garanto que você será diretor-executivo do filme’”, declarou o ex-deputado, sem mencionar a origem dos recursos além daqueles provenientes de seu próprio empreendimento educacional.

O documento, assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, mas com data retroativa a novembro de 2023, o designa — ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP) — como produtor-executivo da obra, conferindo-lhe autoridade para supervisionar o orçamento e as transações financeiras do projeto. A GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, figura como coprodutora oficial.

Da direção à cessão de direitos: a escalada de desistência

Eduardo Bolsonaro revelou que abandonou o cargo de diretor-executivo quando a estrutura de produção migrou de um modelo inicial, centrado na GoUp Entertainment, para um modelo de captação via fundos de investimento. “Passei a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou, sem detalhar se houve repasse de valores ou lucros provenientes do projeto.

Em tom defensivo, o ex-parlamentar reiterou que não houve irregularidades no processo e que jamais recebeu recursos de Vorcaro. “Não houve nada de ilegal. Eduardo Bolsonaro não é bancado por Daniel Vorcaro e não recebeu um centavo do fundo de investimentos”, declarou, sem esclarecer, contudo, se Vorcaro ou entidades a ele vinculadas aportaram valores ao fundo que, segundo a reportagem, financiou parte das filmagens.

O Intercept Brasil e a sombra do financiamento oculto

A reportagem do Intercept Brasil, publicada na quinta-feira (14.mai.2026), baseou-se em documentos e depoimentos que sugerem que Vorcaro teria atuado como principal financiador dos bastidores do projeto Dark Horse, por meio de aportes não declarados em contratos públicos. A matéria aponta ainda que a GoUp Entertainment teria repassado valores ao ex-deputado para cobrir despesas operacionais, embora não haja menção a vínculos diretos entre ambos.

A produção do filme, que já gerou polêmica por retratar a vida de Jair Bolsonaro de forma laudatória, também é alvo de questionamentos sobre a transparência na origem dos recursos. Em resposta à reportagem, a GoUp Entertainment não se pronunciou publicamente até o fechamento desta edição.

O que diz a defesa de Eduardo Bolsonaro

A versão apresentada por Eduardo Bolsonaro foca na narrativa de empreendedorismo pessoal e desvincula seu nome de qualquer esquema de financiamento duvidoso. Ao alegar que arcou sozinho com os custos iniciais e que os riscos eram integralmente seus, o ex-deputado busca afastar acusações de enriquecimento ilícito ou uso indevido de recursos públicos — hipótese que não foi aventada oficialmente, mas que paira no debate público dado o histórico político da família.

Embora o vídeo não tenha fornecido provas documentais da origem dos R$ 350 mil — como extratos bancários ou notas fiscais — ou comprovação de que os valores foram efetivamente convertidos em dólares para transferência aos EUA, a narrativa apresentada sugere uma tentativa de resgate da imagem pública diante das acusações de conflitos de interesse.

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