Edição ampliada marca uma década de debate sobre identidade e representatividade
A obra ‘Lugar de Fala’, best-seller da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, chega a sua edição ampliada em 2026, coincidindo com o décimo aniversário de seu lançamento. Durante participação na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), realizada no Rio de Janeiro em julho, Ribeiro abordou as transformações na obra e a ressignificação do conceito que se tornou central nas discussões sobre justiça social.
A resistência ao termo ‘lugar de fala’ e a naturalização do privilégio
Em palestra no dia 23 de julho de 2026, Djamila Ribeiro reafirmou que o conceito de ‘lugar de fala’ não visa excluir, mas explicitar as assimetrias históricas que determinam quem pode — ou não — ser ouvido com legitimidade. Segundo ela, a reação adversa parte de grupos que, ao longo de séculos, se acostumaram a ocupar posições de poder sem questionamentos, como no caso de homens brancos que se veem desafiados pela simples demarcação de sua condição social.
“Na época, respondia a todos nas redes sociais. Hoje, não faço mais isso”, declarou Ribeiro, em referência ao assédio virtual que enfrentou nos primeiros anos de popularização do termo. A filósofa destacou que o conceito, agora disseminado nas plataformas digitais, gerou uma reação de hostilidade por parte daqueles que sempre se consideraram universais — uma categoria que, na prática, nunca foi neutra.
O legado de ‘Lugar de Fala’ e seus desdobramentos contemporâneos
Publicado originalmente em 2017, o livro se tornou um marco na teoria crítica brasileira, especialmente no campo dos estudos decoloniais e feministas. A edição ampliada incorpora novas reflexões sobre a apropriação do termo por movimentos conservadores, que, segundo Ribeiro, distorcem seu sentido original para atacar pautas identitárias.
A filósofa também comentou sobre a banalização do conceito, que, para ela, perdeu parte de seu rigor teórico ao ser reduzido a frases de efeito nas redes sociais. “O que me preocupa não é a popularização, mas a superficialidade com que o tema é tratado”, afirmou.




