Sintomas neurológicos sinalizam alerta silencioso
A deficiência de vitamina B12, embora muitas vezes associada a dietas vegetarianas ou veganas, continua a ser um problema subdiagnosticado mesmo entre indivíduos que consomem carne regularmente. Segundo o consenso da Associação Brasileira de Nutrologia (ABN), divulgado na última quarta-feira (17), sintomas como confusão mental, irritabilidade, dormência em extremidades e dificuldade de concentração devem ser interpretados como sinais de alerta para a condição.
Por que a carne não é garantia de suficiência?
A absorção da vitamina B12 depende não apenas da ingestão, mas também da integridade do sistema digestivo. Fatores como idade avançada, doenças autoimunes (como a anemia perniciosa) ou uso prolongado de medicamentos (inibidores de bomba de próton, por exemplo) podem comprometer a assimilação do nutriente, mesmo em dietas onívoras. A ABN reforça que a dosagem sanguínea — não a presunção dietética — deve guiar o diagnóstico.
Grupos de risco exigem atenção redobrada
A entidade recomenda suplementação preventiva para idosos, pessoas com histórico de doenças gástricas e indivíduos submetidos a cirurgias bariátricas. Além disso, gestantes e lactantes devem ser monitoradas, já que a deficiência pode impactar o desenvolvimento neurológico fetal. A suplementação, quando necessária, deve ser orientada por profissionais de saúde, uma vez que o excesso de B12 também pode acarretar efeitos adversos.
Consequências ignoradas: da fadiga à neurodegeneração
Embora os sintomas iniciais possam ser confundidos com estresse ou envelhecimento, a deficiência prolongada de B12 está ligada a danos irreversíveis no sistema nervoso central, incluindo neuropatia periférica e comprometimento cognitivo. A ABN alerta que, sem tratamento, a condição pode evoluir para quadros semelhantes aos observados em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer precoce ou demência vascular.
Recomendações práticas: o que fazer agora?
1. Dosagem sanguínea: Indivíduos com sintomas persistentes devem solicitar exames específicos (dosagem de B12, homocisteína e ácido metilmalônico).
2. Avaliação médica: Descarta causas subjacentes, como doenças autoimunes ou má absorção.
3. Suplementação seletiva: Em casos confirmados, a ABN preconiza doses terapêuticas (por via oral ou injetável), ajustadas ao perfil do paciente.
4. Educação nutricional: Pacientes com risco devem ser orientados sobre alimentos fortificados ou alternativas dietéticas, independentemente do padrão alimentar atual.
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