Operação coordenada com capital de R$ 754 milhões
Uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aponta uma operação coordenada entre junho e agosto de 2024, na qual fundos ligados ao ecossistema do Banco Master — Esna, Texas e Kyra — adquiriram 25,1 milhões de ações da Ambipar, representando 15,04% do capital da empresa. Os recursos empregados superaram R$ 754 milhões, resultando em uma valorização de 883% nos papéis da companhia controlada por Nelson Tanure. A reconstituição do caso, baseada em documentos judiciais e registros na Junta Comercial de São Paulo, foi publicada pelo Valor Econômico.
Fundos e estratégia de compra concentrada
A maior parte das transações ocorreu entre julho e agosto de 2024, com os fundos Esna e Texas — vinculados ao Master como cotistas — liderando os desembolsos. O Kyra, por sua vez, realizou uma compra expressiva em 10 de julho: Tércio Borlenghi Júnior, sócio de Maurício Quadrado (gestor dos fundos), aplicou R$ 147,5 milhões para adquirir 10,82 milhões de ações, elevando sua participação no fundo para 73,1%.
Conexões entre Vorcaro, Tanure e Quadrado
Tércio Borlenghi Júnior atua como elo discreto entre as operações de Carlos Eduardo Vorcaro e Nelson Tanure, dois nomes centrais no esquema. A relação entre os três remonta a laços pessoais e profissionais, com Vorcaro e Tanure figurando como figuras públicas no mercado financeiro brasileiro. A CVM analisa se houve manipulação de mercado por meio da concentração artificial de demanda.
Implicações regulatórias e mercado
A investigação da CVM pode resultar em multas ou sanções para os envolvidos, caso seja comprovada a prática de market manipulation. A Ambipar, que viu seus papéis saltarem de valor em meio ao movimento, enfrenta agora um cenário de incerteza quanto à sustentabilidade daquela valorização. A operação reforça a necessidade de fiscalização rigorosa em operações com fundos de investimento, especialmente aqueles com conexões a instituições financeiras de grande porte.




