Quebra de paradigma no consumo de substâncias nos EUA
Dados da Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde (NSDUH) de 2025, divulgados em 27 de julho, indicam que o uso diário ou quase diário de maconha atingiu 21,4 milhões de pessoas com 12 anos ou mais nos Estados Unidos. O número supera o de consumidores habituais de cigarros (19,9 milhões), cigarros eletrônicos (17,5 milhões) e bebidas alcoólicas (17,2 milhões), conforme critério de consumo em pelo menos 20 dos últimos 30 dias.
Álcool ainda lidera em consumo mensal, mas maconha avança em frequência
Apesar de o álcool continuar como a substância mais consumida no país — com 129 milhões de usuários mensais —, a maconha consolidou-se como a segunda droga mais consumida mensalmente. A tendência é mais acentuada entre adultos com 26 anos ou mais, grupo onde a legalização recreativa e medicinal tem impulsionado a adoção regular. Entre adolescentes (12 a 17 anos), o consumo diário permanece baixo, mas monitorado de perto por políticas de prevenção.
Impactos da legalização e desdobramentos sociais
A mudança reflete não apenas a expansão do mercado legal de cannabis — avaliado em US$ 26 bilhões em 2025 —, mas também uma reconfiguração cultural nos padrões de uso. Estudos paralelos associam o crescimento ao aumento de dispensários autorizados e à redução do estigma em torno da substância. Contudo, especialistas alertam para a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos de longo prazo do uso diário, especialmente entre populações vulneráveis.
Contexto internacional e projeções
Os EUA acompanham tendências observadas em outros países com legislações mais permissivas, como Canadá e Uruguai. Enquanto a União Europeia debate regulamentações harmonizadas, o dado americano serve como termômetro para políticas públicas. No Brasil, onde a discussão sobre a legalização permanece em estágio inicial, o fenômeno levanta questionamentos sobre possíveis reflexos em um eventual cenário de mudanças legislativas.




