A busca por alternativas no mercado de energia elétrica ganha força entre os brasileiros, impulsionada pelos altos custos da conta de luz. Contudo, a maioria dos consumidores ainda ignora que, a partir de 2028, poderão escolher livremente seu fornecedor de energia — uma mudança regulatória que promete redefinir o setor.
Demanda por liberdade de escolha supera o acesso à informação
Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Bow-e com 201 pessoas em quatro regiões do país, 72,6% dos entrevistados manifestaram interesse em optar pela empresa responsável pelo fornecimento de energia. No entanto, a falta de conhecimento sobre o tema é expressiva: 60% dos consumidores desconhecem que, em 2028, terão essa liberdade. Entre esse grupo, 70,2% já declararam que gostariam de exercer esse direito, sinalizando uma demanda latente pelo modelo.
Regulamentação avança, mas comunicação deve se adequar à expectativa do consumidor
Ciro Neto, CEO da Bow-e — empresa de geração distribuída do Grupo Bolt —, destaca que a abertura do mercado livre de energia exigirá mais do que ajustes normativos: será necessário um esforço para tornar a informação acessível. “Os dados demonstram que o interesse existe mesmo antes de o consumidor tomar ciência da mudança. O desafio, portanto, não é despertar a vontade de escolher, mas garantir que todos compreendam como exercê-la”, pontua.
Setor elétrico enfrenta transição para modelo competitivo
A introdução do mercado livre de energia no Brasil representa uma das maiores transformações no setor desde a privatização. Até então restrito a grandes consumidores industriais, o modelo será estendido a residências e pequenas empresas, o que demanda preparação não apenas das distribuidoras, mas também de órgãos reguladores e prestadores de serviços. A pesquisa da Bow-e sugere que a adaptação dos consumidores será um dos pilares para o sucesso da transição, exigindo campanhas claras e assertivas nos próximos dois anos.




