Retomada das exibições presenciais com foco na acessibilidade cultural
O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) anuncia a continuidade do projeto Cinelândia – Cinema na Rua com duas sessões agendadas para os dias 12 e 26 de maio, retomando a programação presencial após período de adaptações. A iniciativa, que já se consolidou como referência na promoção do cinema brasileiro em espaço público, mantém sua proposta de democratizar o acesso à sétima arte por meio de exibições gratuitas e sem necessidade de senhas prévias. As sessões ocorrerão às 18h30 na Rua Pedro Lessa, região central do Rio de Janeiro, com classificação etária variando entre 10 e 16 anos, conforme determinações da ANCINE.
Kasa Branca: retrato sensível da relação filial em meio à vulnerabilidade social
Na primeira data, dia 12 de maio, será exibido Kasa Branca, longa-metragem dirigido por Luciano Vidigal e distribuído pela Vitrine Filmes. O filme, inspirado em histórias reais, aborda a relação de cuidado entre um neto e sua avó, Dona Almerinda, portadora de Alzheimer. Ambientado na periferia carioca, a narrativa explora os desafios enfrentados pelo protagonista — único responsável pela idosa — diante de aluguéis atrasados, custos elevados de medicamentos e a iminência da perda da avó. A classificação etária de 16 anos reflete a abordagem crua de temas como envelhecimento, pobreza urbana e afetividade. Para o diretor executivo do CCJF, Ricardo Horta, a escolha do filme alinha-se à missão do projeto de apresentar obras que dialoguem com a realidade social brasileira.
Desapega!: comédia dramática sobre laços maternais e transformação pessoal
A segunda sessão, em 26 de maio, presta homenagem ao Dia das Mães com a exibição de Desapega!, produção tailandesa dirigida por Hsu Chien e protagonizada por Glória Pires e Maisa. A trama acompanha uma mãe que, após a saída da filha para estudar nos Estados Unidos, retorna ao vício de compras compulsivas, comportamento que havia abandonado. A classificação livre para maiores de 10 anos destaca o tom leve do longa, embora com nuances emocionais profundas. O filme, segundo a assessoria do CCJF, foi selecionado pela sua capacidade de gerar reflexão sobre os laços familiares e as transformações impostas pela vida adulta.
Cinema na Rua: política de acesso e ocupação do espaço público
Desde sua estreia, o Cinema na Rua tem se destacado por sua política de gratuidade e ausência de barreiras burocráticas. Ricardo Horta enfatiza que o projeto busca ocupar a Cinelândia — local histórico para o cinema brasileiro — com obras nacionais em português, garantindo acessibilidade por meio de legendas para deficientes auditivos. A decisão de não distribuir senhas e manter as exibições ao ar livre reforça o compromisso com a inclusão, evitando a elitização do consumo cultural. Em caso de chuva, as sessões são automaticamente adiadas, demonstrando flexibilidade operacional sem prejuízo ao público.
Contexto histórico e impacto sociocultural
A retomada presencial do Cinema na Rua insere-se em um movimento mais amplo de revalorização dos espaços públicos como palcos culturais, especialmente após os desafios impostos pela pandemia de COVID-19. Projetos semelhantes, como o Cine na Praça em São Paulo, já haviam demonstrado o potencial de ocupação de praças e ruas para a exibição cinematográfica, aliando entretenimento e convivência social. No Rio de Janeiro, a Cinelândia, outrora epicentro do cinema nacional durante a Retomada nos anos 1990, recupera parte de sua relevância histórica ao abrigar iniciativas que unem cultura, memória e cidadania. A preferência por filmes brasileiros, conforme destacado por Horta, alinha-se às políticas públicas de incentivo à indústria audiovisual, como a Lei do Audiovisual e os editais da Ancine.
Programação aberta e transparente
Ao contrário de outras mostras culturais que exigem cadastro prévio ou distribuição de ingressos, o Cinema na Rua mantém-se fiel ao princípio de que a cultura deve ser acessível a todos, independentemente de condição socioeconômica. A ausência de senhas ou reservas antecipadas elimina potenciais exclusões, enquanto a classificação etária permite que famílias de diferentes faixas etárias frequentem o evento. Para o CCJF, trata-se de uma estratégia deliberada para ocupar não apenas o espaço físico, mas também a pauta cultural com obras que fomentem debate e identificação coletiva.
Perspectivas futuras e desafios
Com a retomada da programação presencial, o Cinema na Rua abre caminho para edições mensais ou até mesmo semanais, dependendo da demanda e da disponibilidade de patrocínios. No entanto, desafios como a captação de recursos e a logística de equipamentos permanecem em discussão. Ricardo Horta adianta que a equipe do CCJF estuda parcerias com produtoras independentes e editais públicos para ampliar a frequência das exibições. Enquanto isso, o público pode aguardar por novidades, como a inclusão de debates com diretores e atores após as sessões, enriquecendo a experiência cultural.
Onde e quando
As exibições do Cinema na Rua ocorrem na Rua Pedro Lessa, Cinelândia, Rio de Janeiro. O Kasa Branca será exibido em 12 de maio, enquanto Desapega! estará em cartaz em 26 de maio, sempre às 18h30. Em caso de chuva, as sessões serão adiadas para a semana seguinte. Para mais informações, o CCJF disponibiliza canais oficiais de comunicação, incentivando a participação ativa da comunidade na construção de uma agenda cultural mais diversa e acessível.




