Essa descoberta representa um importante achado para a comunidade científica
Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pelo Instituto de Ciência e Engenharia de Águas Profundas (IDSSE) da Academia Chinesa de Ciências, anunciou na última edição da revista Nature a descoberta da maior e mais profunda coleção de restos de baleias já registrada no planeta. Localizada na Zona Diamantina, no sudeste do Oceano Índico, a necrópole submarina estende-se a até 7.000 metros de profundidade — uma profundidade jamais explorada para estudos desse tipo.
A formação de um ecossistema único há 5,3 milhões de anos
Os achados incluem 470 sítios fossilíferos e cinco carcaças ativas de baleias, cujos processos de decomposição vêm sustentando ecossistemas complexos desde o Plioceno. Segundo os cientistas, a necrópole funciona como um oásis de biodiversidade nas profundezas abissais, fornecendo recursos para organismos como vermes especializados em ossos e estrelas-do-mar. Até então, quedas de baleias desse porte haviam sido documentadas apenas em regiões menos profundas, como plataformas continentais.
Colaboração internacional e implicações científicas
O estudo contou com a participação da Universidade de Pisa (Itália) e da Earth Science New Zealand (Wellington), reforçando a relevância da cooperação global em pesquisas oceanográficas. A descoberta desafia modelos anteriores sobre a distribuição de nutrientes em abismos marinhos e abre novas perspectivas para entender como a queda de grandes vertebrados influencia a cadeia alimentar das profundezas. Os pesquisadores destacam que, embora já existissem registros esparsos de carcaças de baleias em fossas oceânicas, nenhum estudo havia mapeado uma concentração tão massiva em um único local.
O futuro da pesquisa em águas ultraprofundas
A necrópole de baleias na Zona Diamantina será alvo de expedições futuras para coletar amostras de DNA ambiental e analisar a adaptação de espécies a ambientes de pressão extrema. A descoberta também levanta questões sobre o impacto das mudanças climáticas na decomposição de cetáceos, uma vez que o aumento da temperatura dos oceanos pode alterar a dinâmica de queda e decomposição de grandes animais marinhos. Para os cientistas, esses ecossistemas são laboratórios naturais para estudar a resiliência da vida em condições hostis.




