O convite de Xi Jinping e a ruptura com a lógica de competição
Na última semana, o presidente chinês Xi Jinping proferiu um discurso que pode redefinir a trajetória global da inteligência artificial. Em vez de reforçar a narrativa de corrida tecnológica — já dominante entre China e EUA —, Xi defendeu o aproveitamento de uma “oportunidade histórica para cooperação”. A fala contrasta com a dinâmica atual, marcada por restrições impostas por ambos os países para conter o avanço uns dos outros e pela incessante promulgação de ferramentas por empresas em clima de disputa.
O Kimi K3 e a materialização de uma estratégia alternativa
O lançamento do Kimi K3, um modelo chinês de IA recentemente apresentado, sinaliza não apenas um avanço tecnológico, mas também a materialização de uma abordagem que pode contornar os atritos geopolíticos. Paralelamente, a China avança com a proposta de uma “ONU da IA”, um fórum multilateral que, ao contrário dos esforços americanos, busca estabelecer normas globais sem a participação imediata de Washington. Essas iniciativas serão postas à prova em setembro, quando ocorrerão novas rodadas de negociação entre Pequim e a administração de Donald Trump nos EUA.
Podcast analisa o que está em jogo nas relações sino-americanas de IA
A discussão sobre os rumos da inteligência artificial no contexto geopolítico ganha espaço no Café da Manhã desta sexta-feira (24), com a participação do professor Diogo Cortiz, pesquisador do Centro de Estudos sobre Tecnologias Web da PUC-SP. O programa, veiculado no Spotify — parceiro da Folha na iniciativa —, explora as implicações da estratégia chinesa frente à postura americana, que tem enfatizado restrições e competição. A entrevista busca esclarecer se a proposta de cooperação anunciada por Xi Jinping representa uma mudança de paradigma ou apenas uma manobra tática em meio a uma disputa tecnológica cada vez mais acirrada.




