Trajetória de um fenômeno urbano
Carlos Alberto Adão, nascido em 18 de outubro de 1951 no Butantã (SP), morreu na tarde do último sábado aos 73 anos em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Formado em Economia, abandonou a carreira burocrática no início dos anos 1990 para dedicar-se integralmente à sua assinatura inconfundível: o nome ‘Carlos Adão’ reproduzido em muros de centenas de municípios brasileiros.
Intervenções que desafiaram rótulos
Adão rejeitava as categorias de pichador ou grafiteiro, definindo sua prática como ‘filosófica’. Sua metodologia consistia em retornar aos mesmos pontos para sobrepor novas camadas de tinta, uma abordagem singular que gerou mais de 100 mil registros em três décadas. Em 2015, ao expor suas ideias ao programa The Noite, o artista destacou a dualidade de seu trabalho: ‘Tomar o espaço urbano de forma ilegal e buscar ‘ibope’ são características que não se encaixam perfeitamente em nenhuma das duas tradições artísticas’.
Legado e encontros transformadores
Em 2006, Adão conheceu o grafiteiro Mundano, evento que marcou a incorporação de elementos figurativos em suas obras. Sua presença no cenário das artes visuais brasileiras, embora muitas vezes marginalizada pelo establishment, tornou-se referência para discussões sobre apropriação do espaço público. Candidato duas vezes a deputado federal pelo Avante (antigo PT do B), sua trajetória política refletiu a mesma ousadia de suas intervenções artísticas.
Reconhecimento tardio
A morte do artista foi confirmada pelo vereador Carlinhos do Leme (MDB), presidente da Câmara de Taboão da Serra, em postagem nas redes sociais. O anúncio reacendeu debates sobre o reconhecimento de práticas artísticas não convencionais e a preservação de seu legado material, hoje fragmentado em paredes espalhadas pelo território nacional.




