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Calor na Espanha pode pressionar preço do azeite?

João
13 de agosto de 2026 às 09:43
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Calor na Espanha pode pressionar preço do azeite?

Entre 2023 e 2024 houve um aumento significativo no preço do produto em escala global, afetando diretamente os consumidores no Brasil. Foto: DW / Deutsche Welle

Incêndios e ondas de calor preocupam produtores, mas previsão de safra elevada reduz o risco de alta imediata no Brasil

Incêndios ainda não atingem principais áreas

A Espanha é responsável por cerca de 70% do azeite produzido na União Europeia e 45% do consumo mundial. Por isso, os incêndios e as ondas de calor no sul da Europa despertaram preocupação sobre a oferta e os preços do produto.

Apesar dos prejuízos agrícolas registrados em áreas como Castellón, os principais olivais espanhóis ainda não foram atingidos de forma significativa. O Conselho Oleícola Internacional (COI) afirma que “ainda é cedo para avaliar o impacto potencial na produção de azeite e de azeitonas” e que “uma avaliação confiável exigirá informações detalhadas das áreas afetadas e só poderá ser realizada quando a extensão dos danos tiver sido verificada pelas autoridades nacionais competentes”.

Clima extremo ameaça produção

A principal preocupação do setor não está apenas nos incêndios, mas também nos efeitos acumulados da seca e do calor intenso. A baixa umidade do solo pode provocar a queda precoce das azeitonas, enquanto ondas de calor sucessivas podem reduzir a qualidade dos frutos e elevar os custos de produção.

O COI avalia que os eventos extremos “são motivo de preocupação cada vez maior para o setor olivícola”. A entidade também afirma que “As mudanças climáticas representam desafios significativos para o cultivo de oliveiras em toda a Bacia do Mediterrâneo, afetando a produção, a disponibilidade de água, a biodiversidade e a resiliência de longo prazo dos sistemas de cultivo de oliveiras”.

Ainda assim, as chuvas do último inverno europeu recuperaram os reservatórios espanhóis e sustentam uma previsão favorável para a próxima colheita.

“No entanto, estamos aguardando esse período porque as ondas de calor, com a frequência que estão vindo, não necessariamente com a intensidade, evaporam aquela água do solo. Mas os reservatórios ainda estão cheios, o que não acontecia já há bastante tempo. Então, a expectativa até o momento é de uma excelente safra, mas é também um momento de espera, observando o clima nas próximas três semanas”, explica o azeitólogo Marcelo Scofano.

Oferta pode conter preços

Diante da expectativa de uma safra volumosa, o Ministério da Agricultura da Espanha abriu consulta pública para definir regras de comercialização da temporada 2026/2027, que começa em outubro.

A legislação europeia permite retirar parte da produção do mercado em caso de excesso de oferta. O objetivo é evitar uma queda brusca de preços e preservar a rentabilidade dos agricultores.

“O mecanismo é mais focado na direção oposta, para evitar uma queda acentuada nos preços, que poderia comprometer a lucratividade dos agricultores no caso de uma colheita extraordinariamente grande”, explica a pasta.

A existência do mecanismo não significa que ele será acionado. Na safra anterior, considerada muito boa, a produção não superou o limite de 120% da média das seis temporadas anteriores, necessário para a retirada de parte do produto.

Reflexos para o consumidor brasileiro

O Brasil está entre os maiores importadores mundiais de azeite e já sofreu com a alta provocada pela seca na Península Ibérica entre 2023 e 2024. Naquele período, a garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar R$ 50.

O país possui produção nacional, mas ela representa apenas 1% do consumo, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Até o momento, a expectativa é de estabilidade dos preços nacionais e de maior oferta global.

“A Europa e, particularmente, a Península Ibérica, têm sido as regiões do mundo que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas, calores extremos, frios extremos e sobretudo a ausência de chuva. A Andaluzia vive um processo de desertificação. O que chove no Brasil em um único dia, em regiões como a Mata Atlântica ou até mesmo o pampa gaúcho, chove em um ano na Andaluzia. Há três anos nós tivemos uma grande crise de preços porque foi o auge de uma seca que vinha sendo prolongada já há quase 10 anos.”

Para Marcelo Scofano, ainda não há sinais concretos de prejuízo na próxima safra ou de uma nova alta do azeite. O cenário, por enquanto, é de produção abundante, embora o clima das próximas semanas continue sendo decisivo.

“De 2025 para 2026 tivemos invernos muito generosos, onde as chuvas voltaram e retornaram a níveis de mais de 10 anos. Isso fez com que o preço baixasse, e agora estamos na expectativa de que a próxima safra seja ainda mais generosa”, resume o azeitólogo.

“O que estamos vivendo agora é uma expectativa entre o que está acontecendo no verão e o que aconteceu no inverno passado. A contar com que está acontecendo até agora, teremos uma excelente safra. Só que a incógnita é o que vem a partir desta semana até o começo de setembro”, finaliza.

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