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Caiado critica Lula e defende acordos internacionais sobre minerais críticos

João
24/04/2026, 16:32
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Caiado critica Lula e defende acordos internacionais sobre minerais críticos
Lula Marques/ Agência Brasil

Ex-governador reage a críticas sobre acordos internacionais e defende agregação de valor para romper ciclo de exportação de matéria-prima

 

O cenário político nacional foi palco de um novo embate nesta sexta-feira (24/04), protagonizado pelo pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD). O ex-governador de Goiás rebateu declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito dos memorandos de cooperação firmados pelo estado com os Estados Unidos e o Japão. O cerne da disputa reside na autonomia das unidades federativas para negociar parcerias internacionais focadas em minerais críticos e na estratégia de industrialização desses insumos em solo brasileiro.

Embate sobre soberania e tecnologia

A controvérsia escalou após o presidente Lula questionar a validade dos acordos goianos, alegando que tais parcerias necessitariam de aval do governo federal. Em agenda com lideranças do agronegócio em Belo Horizonte, Caiado criticou a postura do Palácio do Planalto, classificando-a como inercial diante do potencial tecnológico do país. O político goiano argumentou que os acordos são fundamentais para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de minério bruto.

“Ele [Lula] está entregando tudo. Não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil, e nós continuamos a vender o pau-brasil, como na época da colônia, ao vender nióbio, terras raras pesadas”, disparou Ronaldo Caiado.

O plano estabelecido pelo governo estadual em março de 2026 visa criar um ecossistema regulatório competitivo. O foco é atrair centros de pesquisa e capacitação técnica que permitam processar terras raras — essenciais para a indústria de alta tecnologia e transição energética — diretamente em Goiás, gerando empregos qualificados e inovação.

O caso Serra Verde e a dependência externa

A discussão ganhou novos contornos com a recente transação envolvendo a mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO). Embora a empresa tenha sido vendida a outro grupo norte-americano, o fato de o beneficiamento do minério bruto extraído em Goiás ocorrer atualmente na China é o ponto central das críticas da gestão estadual. Atualmente, a extração em Minaçu, autorizada pelo Ministério de Minas e Energia, segue um modelo de exportação de baixo valor agregado.

Para o atual governo de Goiás, a meta é inverter essa lógica. A intenção é que as etapas de refino e transformação industrial sejam internalizadas, aproveitando a cooperação com potências tecnológicas para absorver o conhecimento necessário.

“Nós temos todo o interesse, queremos que seja agregado valor ao produto aqui, não queremos apenas mandar o minério”, enfatizou o governador Daniel Vilela, reforçando a continuidade da política de valorização mineral.

Futuro dos minerais críticos no Brasil

A disputa entre Caiado e o governo federal reflete visões divergentes sobre a exploração de recursos estratégicos. Enquanto o governo federal preza pela centralização das negociações diplomáticas, Goiás aposta na diplomacia subnacional para acelerar o desenvolvimento regional. O sucesso dessa iniciativa pode posicionar o estado como um hub tecnológico de minerais críticos na América Latina, reduzindo a dependência histórica de processamento em mercados asiáticos.

 

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