Renda domiciliar per capita é um dos principais indicadores usados para avaliar o padrão de vida da população brasileira. © ISTOCK
Dados da Pnad Contínua mostram distância entre os extremos da renda no país
A disparidade de renda no Brasil voltou a ficar evidente nos novos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo levantamento da Pnad Contínua sobre rendimento de todas as fontes, publicado nesta sexta-feira (8), os 5% mais pobres do país sobreviveram, em 2025, com até R$ 299 mensais por pessoa. Na outra ponta, o 1% mais rico registrou rendimento domiciliar per capita superior a R$ 15,2 mil por mês.
O estudo utiliza como referência a renda domiciliar per capita, indicador que considera a soma de todos os rendimentos obtidos pelos moradores de uma residência, dividida pelo número de pessoas que vivem no imóvel.
Como o IBGE calcula a renda por pessoa
Para medir o rendimento domiciliar per capita, o IBGE leva em conta diferentes fontes de receita das famílias brasileiras. Entram no cálculo salários, aposentadorias, pensões, programas sociais, aluguéis e ganhos financeiros, entre outros rendimentos.
Em um exemplo hipotético, uma mulher que recebe R$ 5 mil mensais e mora apenas com um filho teria renda per capita de R$ 2,5 mil por pessoa.
Além dos rendimentos do trabalho, o levantamento inclui:
- aposentadorias e pensões;
- aluguel e arrendamento;
- pensão alimentícia, doações e mesadas;
- benefícios sociais, como Bolsa Família e BPC;
- aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais e exploração de patentes.
O IBGE ressalta que ganhos eventuais, como prêmios de loteria, não entram na pesquisa.
Classe intermediária concentra renda entre R$ 906 e R$ 2.958
Os dados apontam que os 30% mais pobres do país possuíam rendimento mensal de até R$ 906 por pessoa em 2025.
Já a faixa considerada intermediária — composta pela população situada acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos — registrou renda entre R$ 906 e R$ 2.958 mensais por pessoa.
Acima desse grupo estão os 20% mais ricos do país, com rendimento superior a R$ 2.958 por pessoa.
Faixa dos mais ricos apresenta grande diferença interna
Embora os 20% mais ricos estejam acima da linha dos R$ 2.958 mensais, especialistas destacam que há forte desigualdade dentro desse próprio grupo.
De acordo com a pesquisa:
- os 10% mais ricos receberam acima de R$ 4.609 por pessoa;
- os 5% mais ricos tiveram renda superior a R$ 6.900;
- o 1% mais rico ultrapassou R$ 15.214 mensais por pessoa.
Coordenador do laboratório PUCRS Data Social, André Salata afirmou que a renda domiciliar per capita é um dos principais instrumentos para avaliar as condições de vida da população.
“O bem-estar depende muito do rendimento do grupo familiar, porque os recursos são divididos na família”, explicou.
Veja a renda mensal por pessoa em cada faixa da população brasileira
- 5% mais pobres: até R$ 299
- 10% mais pobres: até R$ 451
- 20% mais pobres: até R$ 694
- 30% mais pobres: até R$ 906
- Faixa intermediária: de R$ 906 a R$ 2.958
- 20% mais ricos: acima de R$ 2.958
- 10% mais ricos: acima de R$ 4.609
- 5% mais ricos: acima de R$ 6.900
- 1% mais rico: acima de R$ 15.214
Os números reforçam o cenário de forte concentração de renda no Brasil e evidenciam o abismo econômico entre as diferentes camadas da população.
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