Crise institucional no Bahia: torcida organizada rompe com Rogério Ceni
A Bamor, principal torcida organizada do EC Bahia, elevou o tom da pressão sobre a diretoria do clube ao publicar um manifesto público exigindo a demissão imediata do treinador Rogério Ceni. O documento, publicado em suas redes sociais, classifica o atual ciclo técnico como “desgastado, previsível e incapaz de entregar evolução”, enquanto o Bahia acumula resultados vergonhosos em diversas competições, apesar dos vultosos investimentos realizados.
Manifesto acusa falta de repertório tático e resultados catastróficos
No texto de cinco parágrafos, a Bamor detalha as falhas estruturais do trabalho de Ceni, destacando a “limitação tática” do time, a ausência de “poder de reação” e a repetição de “mesmos erros jogo após jogo”. A torcida critica ainda o que considera uma “incompatibilidade entre a grandeza do Bahia — maior clube do Nordeste — e o futebol apresentado em campo”, que classificam como “apático e pequeno”.
O manifesto lista uma série de fracassos recentes: eliminações precoces na Copa do Brasil e na Libertadores, derrotas humilhantes para equipes de menor investimento e a campanha desastrosa na Sul-Americana do ano passado, quando o time entrou em campo “desdenhando da competição”. A nota ainda menciona as goleadas sofridas e a classificação “culposa” na Série A, sem “imposição, autoridade ou convencimento”.
Pressão histórica e contexto de investimentos no Bahia
A cobrança da Bamor não é isolada: reflete o desgaste acumulado pela torcida com uma sequência de maus resultados, mesmo após o clube ter feito um dos maiores investimentos de sua história em reforços e estrutura. A diretoria do Bahia, liderada pelo presidente Rivelino Carvalho, tem mantido Ceni no cargo apesar das críticas recorrentes, o que agora enfrenta resistência frontal dos principais grupos organizados do clube.
Exigência por mudança imediata e cobrança à diretoria
O documento encerra com um apelo por “coragem, cobrança e mudança de rota”, afirmando que “insistir nisso é continuar empurrando o Bahia para o fracasso”. A Bamor ressalta o esforço dos torcedores — que lotam estádios e viajam pelo país — e cobra que os responsáveis pelo projeto respondam “à altura da instituição que representam, e com urgência”. A frase de fechamento — “FORA ROGÉRIO CENI!” — sintetiza a postura radical da torcida, que já não vê margem para negociação.
Desdobramentos possíveis e cenário para o clube
A crise exposta pelo manifesto da Bamor coloca a diretoria do Bahia em uma posição delicada. Se a pressão da torcida organizada — tradicionalmente influente no clube — for endossada por outros segmentos da massa, a demissão de Ceni pode se tornar inevitável, independentemente dos prazos contratuais. Por outro lado, a manutenção do técnico poderia aprofundar a divisão interna e afastar ainda mais os torcedores, já desiludidos com os resultados.
O Bahia, que busca retomar a competitividade nacional e internacional após anos de instabilidade, enfrenta agora um dilema: prosseguir com um projeto técnico em xeque ou promover uma ruptura traumática em meio a uma temporada já comprometida. A decisão, em breve, será cobrada nas arquibancadas do estádio de Pituaçu.




