Os transtornos de ansiedade configuram-se como um dos desafios mais prementes de saúde mental na atualidade, com impacto significativo na qualidade de vida de milhões de indivíduos
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 359 milhões de pessoas foram diagnosticadas com algum transtorno de ansiedade em 2021, representando 4,4% da população global. No território brasileiro, estimativas da mesma organização, relativas a 2015, indicavam uma prevalência de 9,3%, o que equivalia a aproximadamente nove em cada cem brasileiros convivendo com essas condições psiquiátricas.
A gênese desses transtornos está intrinsecamente ligada a fatores contemporâneos como a precarização das relações laborais, a instabilidade econômica estrutural, a hiperconectividade digital, o uso massivo de redes sociais e as transformações socioculturais aceleradas. Esses elementos compõem um cenário propício ao desenvolvimento de estresse crônico e sofrimento psíquico, demandando abordagens terapêuticas cada vez mais diversificadas e eficazes.
Entre as opções de tratamento convencionais destacam-se a psicoterapia cognitivo-comportamental, intervenções farmacológicas com ansiolíticos e antidepressivos, além de mudanças estratégicas no estilo de vida. Contudo, o cenário brasileiro registrou um crescimento expressivo no consumo de ansiolíticos benzodiazepínicos entre 2010 e 2012, conforme pesquisa publicada na *Ciência & Saúde Coletiva* utilizando dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Anvisa. O estudo identificou um aumento de 72% no uso dessas substâncias nas 27 capitais do país, sinalizando tanto a crescente demanda por tratamento quanto os desafios inerentes à prescrição e monitoramento dessas medicações.
Nesse contexto, a cannabis medicinal emerge como um campo promissor de investigação científica, com pesquisadores e profissionais de saúde avaliando seu potencial terapêutico para condições como ansiedade, dor crônica e epilepsia refratária. Embora os mecanismos de ação ainda sejam objeto de estudo, compostos como o canabidiol (CBD) vêm sendo associados a propriedades ansiolíticas em modelos pré-clínicos e ensaios clínicos iniciais. A discussão, entretanto, permanece cercada de nuances éticas, regulatórias e clínicas, exigindo rigor metodológico e discussão multidisciplinar para validar sua aplicabilidade segura e eficaz.




