Dados recentes compilados a partir de análises independentes sugerem um padrão de votação concentrado em favor de candidatos do Partido Liberal (PL) em regiões do Rio de Janeiro sob influência de grupos criminosos organizados, incluindo milícias e facções. As investigações, que cruzam informações eleitorais com mapas de territorialidade do crime, apontam para uma disparidade significativa em comparação com outras áreas do estado.
Um estudo divulgado por colunistas especializados, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e informações sobre áreas de domínio criminoso, identificou que em 268 urnas localizadas em zonas de atuação de milícias no município do Rio de Janeiro, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) obteve a maioria dos votos. Em contrapartida, 43 locais de votação nessas mesmas áreas registraram preferência pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Análise de votação em zonas de influência criminosa
A metodologia da pesquisa envolveu a sobreposição de dados eleitorais com mapeamentos de áreas de atuação de grupos criminosos, frequentemente referenciados por institutos de pesquisa como o Fogo Cruzado. Essa abordagem busca quantificar a influência desses grupos no comportamento eleitoral, considerando a complexidade do controle territorial exercido por organizações armadas em determinadas comunidades.
Bruno Pantaleão, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com foco em políticas públicas, violência e crime, corrobora as conclusões. Sua análise, realizada dentro do mesmo município, indica que os locais de votação situados em áreas de milícia apresentaram, em média, uma vantagem de 5,6 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, e 4,7 pontos para Douglas Ruas, eleito governador. Essa diferença se traduziria em aproximadamente 107 mil e 84 mil votos adicionais, respectivamente, em comparação com o desempenho esperado em outras localidades da Região Metropolitana.
Impacto do controle territorial no cenário eleitoral
A pesquisa também examina a relação entre o controle armado de territórios e a votação para cargos legislativos. Segundo os dados preliminares, alguns dos deputados estaduais mais votados no Rio de Janeiro teriam concentrado expressiva parte de seus votos em áreas sob controle de grupos armados. Essa constatação levanta questões sobre a dinâmica do poder e a influência de fatores não eleitorais no resultado das urnas.
A extensão e a profundidade dessas análises são cruciais para a compreensão de fenômenos complexos que afetam a representatividade democrática. A metodologia empregada, que combina dados oficiais com investigações sobre a criminalidade organizada, oferece um panorama detalhado sobre as nuances do eleitorado em regiões particularmente vulneráveis e sob forte influência de grupos com atuação ilegal. A continuidade dessas pesquisas é fundamental para subsidiar debates e políticas públicas voltadas para a segurança e a consolidação democrática.
( Com O Globo)




