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AIE aponta Estreito de Ormuz como chave para debelar crise energética global em 2026

Redação
16 de junho de 2026 às 10:51
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AIE aponta Estreito de Ormuz como chave para debelar crise energética global em 2026

© Picture Alliance

Agência Internacional de Energia considera medida essencial para conter alta global do petróleo e gás

 

A Agência Internacional de Energia (AIE) elevou o tom das advertências sobre o Estreito de Ormuz nesta terça-feira (16 de junho de 2026), classificando como imprescindível a reabertura incondicional do canal ao tráfego de navios-tanque. Segundo o diretor-executivo Fatih Birol, a medida é a solução única mais impactante para mitigar a disparada dos preços do petróleo e gás, cujos reflexos já se espalham por cadeias produtivas globais.

O bloqueio iraniano e seu efeito dominó nos mercados

Desde o final de fevereiro de 2026, o Irã manteve o Estreito de Ormuz efetivamente fechado como retaliação aos ataques coordenados por EUA e Israel no Oriente Médio. O bloqueio, estratégico para 20% do fornecimento global de petróleo, provocou uma elevação de 37% nos contratos futuros de WTI em maio — um recorde desde a crise do petróleo de 1973. Indústrias de aviação, transporte marítimo e química já registram encarecimento de insumos, enquanto governos europeus e asiáticos acionam planos de contingência para evitar desabastecimento.

Acordo de paz no Oriente Médio esbarra em divergências comerciais

O entendimento para encerrar o conflito no Oriente Médio — celebrado em maio de 2026 — previa a reabertura do estreito, mas com uma ressalva: Teerã condicionou a liberação à cobrança de taxas de serviço dos navios que transitam pela via. A proposta, ainda em negociação, divide analistas. Enquanto o Departamento de Estado dos EUA a considera uma violação do direito internacional marítimo, países dependentes do Golfo Pérsico, como China e Índia, sinalizam disposição para negociar os valores.

Alternativas emergentes: riscos e limitações

Em paralelo às pressões diplomáticas, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aceleram a expansão de oleodutos alternativos, como a rota que conecta a Arábia Saudita ao Mar Vermelho via Jordânia. No entanto, especialistas da AIE destacam que tais soluções não substituem o volume transportado por Ormuz — equivalente a 21 milhões de barris diários — e demandariam anos para operar em escala plena. A Rússia, por sua vez, anunciou nesta semana o aumento de 15% em suas exportações de petróleo para a China via rota terrestre, mas o volume não compensa a lacuna deixada pelo bloqueio.

Consequências econômicas: um cenário de recessão global?

O FMI projetou, em relatório publicado em 10 de junho de 2026, que o prolongamento do bloqueio poderia reduzir o crescimento global em 2,1 pontos percentuais até o fim do ano, revertendo ganhos pós-pandemia. Países importadores líquidos de energia, como Alemanha e Japão, já anunciaram pacotes de auxílio a famílias e empresas para conter os efeitos da inflação energética. Enquanto isso, a OPEP+ mantém sua política de cortes voluntários na produção, ampliando o desequilíbrio entre oferta e demanda.

O que esperar nas próximas semanas

A pressão sobre o Irã deve intensificar-se com a aproximação da cúpula do G7, marcada para 28 de junho em Ottawa. Fontes ouvidas pela ClickNews indicam que a Casa Branca estuda sanções secundárias a empresas que negociem com Teerã, caso o estreito permaneça restrito. Paralelamente, a União Europeia avança em um acordo para comprar gás do Azerbaijão via Turquia, mas o volume representa menos de 5% da demanda europeia. A AIE insiste: sem Ormuz, não há solução rápida.

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