Contexto histórico e fundamentos do acordo
O acordo sobre terras raras entre Estados Unidos e China, firmado em outubro de 2025 durante a reunião bilateral em Busan, Coreia do Sul, representa um marco na relação econômica entre as duas maiores potências globais. As terras raras, grupo de 17 minerais essenciais para a indústria tecnológica — desde smartphones até sistemas de defesa —, tornaram-se o epicentro de uma batalha comercial que se arrasta desde 2018, quando Washington impôs tarifas de até 25% sobre produtos chineses. Em resposta, Pequim ameaçou restringir o fornecimento global desses insumos, expondo a dependência crítica de indústrias norte-americanas, sobretudo na fabricação de veículos elétricos e componentes aeroespaciais. O pacto de outubro, negociado durante horas de diálogo entre o então presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, estabeleceu uma trégua temporária, suspendendo tarifas retaliatórias e garantindo o fluxo controlado de terras raras para os EUA, em troca de concessões em setores como semicondutores e energia renovável.
Dinâmica atual: acordo em vigor e projeções para 2026
Segundo declaração de uma autoridade sênior do Departamento de Estado dos EUA ao ClickNews neste domingo (10), o acordo bilateral continua plenamente em vigor, sem sinais de expiração iminente. “Ainda está em vigor. Ainda não expirou”, afirmou a fonte, que solicitou anonimato para discutir assuntos diplomáticos sensíveis. Embora não tenha sido especificado um prazo para a extensão formal do acordo, a autoridade reafirmou a confiança na capacidade dos dois governos de anunciarem uma prorrogação “no momento apropriado”. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a permanência do pacto reflete tanto a interdependência econômica quanto a necessidade mútua de estabilidade em um cenário global marcado por conflitos regionais e crises de供应链.
Cúpula de Pequim: agenda e implicações geopolíticas
A reunião programada para 14 e 15 de maio em Pequim entre Trump e Xi não se limitará ao comércio de terras raras. Fontes diplomáticas indicam que o conflito entre Israel e Irã — com participação indireta dos EUA — será um dos principais tópicos, dada a preocupação chinesa com a escalada de instabilidade no Oriente Médio, região de interesse estratégico para Pequim. Além disso, a questão de Taiwan, descrita como “linha vermelha” pela China, deve figurar entre as prioridades, com possíveis discussões sobre redução de tensões militares no Estreito de Formosa. A pauta comercial, embora central, tende a ser menos explosiva do que em encontros anteriores, graças ao acordo vigente sobre terras raras e ao recente relaxamento parcial de tarifas sobre tecnologias verdes.
Impacto econômico e reações do setor privado
O mercado de terras raras tem reagido com cautela às notícias sobre a cúpula. Em relatório divulgado na semana passada pela consultoria Benchmark Mineral Intelligence, a projeção é de que os preços internacionais desses minerais permaneçam estáveis no curto prazo, mas com risco de volatilidade caso haja ruptura nas negociações. “Os investidores estão monitorando de perto o desfecho da cúpula, pois qualquer sinal de retrocesso poderia desencadear uma nova rodada de especulação e elevação de preços”, afirmou Ana Lúcia Ferreira, analista de commodities da Latin America Commodities Research. No setor automotivo, a estratégia de estoque preventivo adotada pela Tesla e pela Ford nos últimos meses é vista como um reflexo da incerteza gerada pelas relações EUA-China. Enquanto isso, a China mantém sua posição como principal produtor global, respondendo por 60% da oferta mundial, segundo dados da U.S. Geological Survey.
Perspectivas diplomáticas e desafios futuros
Apesar do tom conciliatório do acordo sobre terras raras, especialistas em relações internacionais alertam para os desafios estruturais que ainda dividem Washington e Pequim. “A interdependência econômica não elimina a rivalidade estratégica”, observa o professor Liang Wei, do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade de Pequim. “A China busca garantir acesso a mercados tecnológicos avançados, enquanto os EUA tentam reduzir sua dependência de cadeias de suprimento controladas por Pequim.” Nesse contexto, a cúpula de maio será um teste crítico para a capacidade dos dois países de equilibrar competição e cooperação. A extensão do acordo sobre terras raras, embora positiva, não deve ser interpretada como um sinal de alinhamento político, mas sim como uma medida pragmática para evitar choques desordenados em setores vitais.
Conclusão: um equilíbrio instável
À medida que Trump e Xi se preparam para se encontrar em Pequim, o acordo sobre terras raras permanece como um dos poucos pontos de convergência em uma relação cada vez mais polarizada. Sua manutenção, no entanto, não garante estabilidade a longo prazo. Com eleições presidenciais nos EUA se aproximando e a China lidando com pressões internas por maior autonomia tecnológica, o cenário para 2026 é incerto. O que se pode afirmar, contudo, é que a dependência mútua em terras raras — seja como fornecedor ou como cliente — continuará a moldar as relações bilaterais, independentemente dos rumos da política externa ou dos conflitos regionais. Para governos e empresas, a lição é clara: a gestão desses minerais será tão crucial quanto a diplomacia que os cerca.




