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A Anatomia do Colapso: Como a Polo Capital Desvendou a Teia do Banco Master e da Oncoclínicas

Redação
28/04/2026, 15:30
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A Anatomia do Colapso: Como a Polo Capital Desvendou a Teia do Banco Master e da Oncoclínicas

A estabilidade do sistema financeiro nacional e a transparência nas demonstrações contábeis voltaram ao centro do debate econômico após as revelações de Conrado Rocha, sócio da Polo Capital. Em uma análise minuciosa que durou seis semanas, Rocha expôs o que descreve como uma complexa engenharia financeira envolvendo o Banco Master e a rede Oncoclínicas (ONCO3), apontando para reavaliações de ativos que teriam inflado artificialmente o patrimônio da instituição.

O Elo entre Banco Master e Oncoclínicas

O ponto de inflexão para a investigação da Polo Capital foi o aporte de R$ 1,5 bilhão realizado pelo Banco Master na Oncoclínicas em meados de 2024. Rocha identificou que boa parte desse montante foi aplicada a taxas de 130% do CDI dentro do próprio Master, um movimento que, segundo o gestor, deveria ter acendido alertas sobre a concentração de riscos e a natureza das transações entre as partes.

“As informações eram todas públicas”, afirmou Rocha, destacando que a análise de documentos do Banco Central revelou uma sucessão de fundos em cascata. Essa estrutura, composta por dezenas de veículos de investimento, dificultava o rastreamento de participações em empresas como Gafisa e Light, criando um cenário de opacidade regulatória.

Engenharia de Fundos e o “Efeito Frozen”

A análise da Polo Capital detalhou práticas heterodoxas de gestão de capital. Para manter o Índice de Basileia dentro dos limites exigidos pelo Banco Central, o lucro contábil do Master teria sido produzido por meio da reavaliação interna de ativos. Rocha citou o exemplo do fundo Marsani, que teve seu valor saltar de R$ 200 milhões para R$ 600 milhões em apenas seis dias após uma cisão.

A complexidade chegava a níveis irônicos, com uma cadeia de fundos batizada com nomes de personagens do filme Frozen (Hans, Olaf, Elsa). A cada nova camada, os ativos eram reavaliados, gerando lucros contábeis sem a correspondente entrada de caixa real, o que Rocha classifica como uma fragilidade estrutural insustentável a longo prazo.

Consequências para o Mercado e Governança

O desdobramento do caso impactou diretamente a Oncoclínicas. Considerada uma “boia de salvação” no momento do aporte, a parceria com o Master tornou-se um passivo quando parte relevante dos recursos aplicados não pôde ser resgatada após o colapso da instituição financeira. A Polo Capital, que mantinha uma posição vendida nas ações da ONCO3, encerrou sua operação ao final de 2024 com os papéis cotados a R$ 3, uma queda vertiginosa frente aos R$ 19,75 do IPO.

O encerramento do esquema foi precipitado por vetos da Caixa Econômica Federal a emissões do Master e pela subsequente proposta de compra pelo BRB. O episódio serve como um lembrete rigoroso sobre a necessidade de auditorias independentes e o papel fundamental da análise de crédito institucional no mercado brasileiro.

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