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No Dia das Crianças, menina que nasceu com corpo coberto por pelos comemora sucesso do tratamento

Neste Dia das Crianças, estudante Kemilly Vitória Pereira de Souza, de 6 anos, que nasceu com o corpo coberto por pelos, celebra o sucesso do tratamento que vem fazendo desde que se mudou para Goiânia, há pouco mais de três anos. A menina começou a terapia a laser no Hospital Materno Infantil (HMI) e agora dá continuidade, ainda de graça, em uma clínica particular.

Logo após a última sessão, que ocorreu na terça-feira (10), Kemilly saiu da sala orgulhosa: “Dessa vez eu nem chorei, mamãe”, disse. Com sessões praticamente semanais, o acúmulo de pelos pelo corpo dela diminuiu consideravelmente e já não causa sofrimento para a menina e para a família.

Kemilly nasceu com uma doença genética e hereditária chamada “hipertricose lanuginosa”, também conhecida como “síndrome do lobisomem”, que a faz ter uma quantidade de pelos no corpo acima do comum. Ela e os pais são de Augustinópolis, no Tocantins, mas se mudaram para Goiânia em 2014, quando conseguiram o tratamento a laser para ela no HMI. No entanto, em setembro do ano passado, eles ganharam uma terapia para a menina na Clínica Beuté, onde continuaram as sessões.

Hoje, vaidosa e cheia de autoestima, Kemilly conta que adora se aprontar e está feliz com os resultados. “Eu gosto de vir aqui porque eu fico sem os pelos. Dói só um pouquinho. Eu me sinto mais bonita quando passo batom, maquiagem. Gosto de ter amigos também”, disse, sorrindo.

Antônio Souza, Kemilly Vitória e Patrícia Batista Pereira agradecem por tratamento (Foto: Vanessa Martins/G1)Antônio Souza, Kemilly Vitória e Patrícia Batista Pereira agradecem por tratamento (Foto: Vanessa Martins/G1.

Como toda criança, Kemilly também já fez seus pedidos para o Dia das Crianças: “Quero brincar muito e ganhar uma boneca, uma bicicleta do meu tamanho ou um patinete”, disse.

Mãe da menina, a dona de casa Patrícia Batista Pereira, de 27 anos, conta que hoje a filha é uma criança alegre e brincalhona. A jovem lembra que, apesar de não aparentar atualmente, Kemilly já sofreu muito com preconceito por causa da síndrome.

“Hoje ela tem os amiguinhos na escola e ninguém comenta nem nada, mas teve uma época em que era difícil. Ela pedia para ter amigos, sofria muito preconceito. Essas coisas a gente não esquece. Ela sofreu muito e não gosta de ver as fotos dela de antes, fala que não é ela”, contou a mãe.

Após os tratamentos no HMI, ela relata que teve as esperanças renovadas de ver a filha bem. No entanto, ela conta que Kemilly sentia muitas dores e as sessões eram muito espaçadas, o que comprometia um pouco o resultado. Ela afirma que quando eles receberam o contato da dermatologista funcional e fisioterapeuta Elizabeth Teles, que ofereceu outro tratamento de forma gratuita, eles experimentaram e ficaram satisfeitos.

“Somos muito gratos. É de felicidade que me emociono porque a gente lutou muito para conseguir. Por muito tempo achamos que podia não dar certo, mas agora, finalmente está dando. A gente nunca teria condições de pagar e só queríamos ver ela feliz”, completou Patrícia, com lágrimas nos olhos.

Kemilly Vitória antes e depois de tratamentos (Foto: Fernanda Borges e Vanessa Martins/G1)Kemilly Vitória antes e depois de tratamentos (Foto: Fernanda Borges e Vanessa Martins/G1).

Terapia

A médica que doa o tratamento à Kemmily, Elizabeth Teles, se lembra de quando a viu a história da menina nas reportagens e quis ajudar. Ela conta que se ofereceu para contribuir no tratamento e recebeu uma ligação do pai da garota, o eletricista Antônio de Souza, de 38 anos. “Eles vieram aqui, expliquei como seria e começamos as sessões. Garanti a eles que, enquanto eu tiver os equipamentos, eles terão o tratamento de graça”, afirmou.

Segundo Elizabeth, na terapia é usado um laser de iodo para eliminar os pelos do corpo da menina. As sessões variam entre 20 minutos e uma hora, cada vez sendo aplicado em uma parte diferente do corpo e de maneira contínua, para evitar que os pelos voltem a nascer.

“Fazemos sessões frequentes para evitar que volte, porque se interromper, pode regredir. Não tem um prazo de até quando será necessário fazer as sessões, depende das reações do corpo dela. Quando ficar adolescente, por exemplo, a tendência é diminuir um pouco”, esclareceu.

Também satisfeita com o resultado, Elizabeth agradece por poder doar o tratamento. “Muito gratificante ver o desenvolvimento dela. A gente conversava bastante e aos poucos ela foi se abrindo mais, ficando mais saída. Ela mostra para as pessoas como fica feliz. Para mim é um presente ter ela aqui e poder ajudar”, agradeceu.

Médica Elizabeth Teles doa tratamento a laser para Kemilly (Foto: Vanessa Martins/G1)Médica Elizabeth Teles doa tratamento a laser para Kemilly (Foto: Vanessa Martins/G1)
Por Vanessa Martins, G1 GO

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