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Motim em Construção

Fotomontagem IstoÉ

Por Kaike Rachid Maia*

 

A carta dos economistas, redigida no domingo e entregue aos chefes dos três poderes da república agrava ainda mais a crise institucional que começa a se desenhar com contornos mais firmes. A percepção de alguns é que o centro do debate político que se dá nas madrugadas e à sombra dos holofotes, se percebeu com a possibilidade de trabalhar pra não ter, nem Bolsonaro, nem Lula nas eleições de 2022. Para tirá-los do páreo seria necessário votar o impeachment do primeiro e tornar novamente inelegível o segundo.

Não é tarefa fácil, mas o miolo do poder político brasileiro, formado por despachantes de um patronato corporativo, convenhamos, vem se tornando expert em retirar presidentes do poder quando estes não lhe têm mais serventia.

A história se repete de muitas formas e revisitá-la muitas vezes nos trás vislumbres do que pode vir pela frente. Por que Collor e Dilma caíram? Grosso modo, esses dois presidentes depostos foram compondo seu staff cada vez com menor participação dos partidos, tiveram péssima relação com o Congresso Nacional e meteram os pés pelas mãos na economia. Alguma coisa diferente de agora? Sim, e para pior.

Não obstante a crise econômica, não avanço de reformas e dificuldade no relacionamento político desde o início do mandato que, como visto, já foram causas suficientes para a quedas de Fernando Collor e Dilma Vana, agora tem-se uma pandemia destroçando vidas, empresas e empregos numa velocidade sem paralelo e que o governo tem muita dificuldade em administrar. Adicione-se a isso um presidente com convicções próprias sobre a doença, seu tratamento e o comportamento social que deve ser adotado pelas pessoas.

E mais, agora temos um Judiciário atuante na política como nunca. É nesse poder que se encontram sob investigação os 04 filhos do presidente da república.

Ao não levar o Ministério da Saúde como gostaria, o Centrão, que é useiro e vezeiro em mascar a cana até que se torne apenas bagaço pela própria chupada, se movimenta para elevar o preço do cacife às alturas, até que o ‘pato’ da mesa desista de jogar.

A esse contexto de incerteza e instabilidade política, onde o oportunismo das raposas começa a imperar, se soma a fúria das redes sociais, o Fla x Flu em que o país se meteu. Uma discussão sem fim, rasa em debate e de pouco conhecimento de como se dá o processo de construção, manutenção e destruição do poder dentro da política brasileira.

Não caso de Lula da Silva, na trama que começa a se armar, também não há lugar pra este ex-presidente. Sua volta, acreditam os artífices estaria relacionada ao regresso de expedientes que não encontram mais lugar e a inviabilização eleitoral do líder petista se daria, pela união de esforços entre o Legislativo que não quer vê-lo mais como presidente, com o Judiciário, detentor da caneta que o faz retornar à ilegibilidade.

Às avessas do que vem escrito no final da ficha técnica de filmes e novelas: não seria uma obra de ficção e qualquer semelhança com nomes, pessoas ou acontecimentos reais, não será mera coincidência.

* Kaike Rachid, 51 economista e consultor em finanças.

 

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