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Ministro do Supremo analisará pedido da PGR para investigar Romário, Jutahy e Maia

Segundo revista, senador é suspeito de receber doação ilegal da Odebrecht.
Romário nega doações ilegais: ‘não vão me meter no meio dessa lama’.

Por Mariana Oliveira e Renan Ramalho
Da TV Globo e G1, em Brasília
 
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado, por sorteio, para analisar um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar o senador Romário (PSB-RJ) e os deputados federais Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Jutahy Júnior (PSDB-BA).
A informação, divulgada em reportagem do último final de semana da revista “Época”, foi confirmada pela TV Globo. De acordo com a publicação, o ponto de partida para o Ministério Público solicitar a investigação dos três políticos foi a troca de mensagens entre o presidente licenciado do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro.
Com base nas mensagens telefônicas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer autorização do Supremo para investigar Romário, Maia e Jutahy por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A revista afirma que  o nome de Romário apareceu na troca de mensagens entre Marcelo Odebrecht e seu subordinado Benedicto Barbosa da Silva Júnior, descobertas no ano passado, quando o empreiteiro foi preso pela Operação Lava Jato. Benedicto também chegou a ser preso. A Polícia Federal encontrou com o funcionário da Odebrecht planilhas com o controle de valores distribuídos a mais de 200 políticos.
Segundo a revista, o ex-jogador da Seleção teria recebido doação ilegal da construtora Odebrecht para sua campanha ao Senado em 2014.
Ainda de acordo com a reportagem, a construtora teria doado R$ 100 mil ao parlamentar não declarados à Justiça.
O senador diz que não recebeu doação da Odebrecht “durante, após campanha ou em qualquer outro momento” (leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria do senador ao final desta reportagem).
Por meio de sua assessoria, Rodrigo Maia afirmou à TV Globo que as doações da construtora OAS foram feitas ao diretório nacional do DEM e transferidas para a campanha do então candidato ao Senado Cesar Maia. Conforme o parlamentar do DEM, todas as doações estão registradas e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
O G1 não conseguiu localizar o deputado Jutahy Júnior.
Lava Jato
Inicialmente, o pedido de inquérito sobre Romário, Jutahy e Rodrigo Maia foi encaminhado para o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no STF.
No entanto, como Teori avaliou que o caso não tem relação com os desvios de recursos da Petrobras, o pedido do Ministério Público foi redistribuído, por sorteio, para o gabinete ministro Luiz Fux. Caberá a ele verificar se há indícios mínimos que permitam abrir uma investigação e autorizar o início de diligências.
Na prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral por Romário, não consta nenhuma doação da Odebrecht. Em nota, o senador diz que todas as doações recebidas em 2014 foram legais e registradas na prestação de contas da campanha e nenhuma delas foi da empreiteira.
“Nunca conversei com Marcelo Odebrecht ou com qualquer pessoa que tenha se identificado  como seu emissário. Enquanto candidato, não autorizei qualquer pessoa a falar em meu nome”, escreveu o senador na nota, acrescentando que pediria esclarecimentos à PGR e à própria construtora.
“Ademais, aguardarei o rápido tramite da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos. Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama”, finalizou.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Romário:
Recebi com surpresa e indignação a informação de que a Procuradoria Geral da República (PGR) teria pedido uma investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma suposta doação que eu teria recebido após a campanha de 2014 da empresa Odebrecht.
De acordo com a revista, há uma “SUSPEITA” de que a empreiteira “SUPOSTAMENTE” me doou a quantia de R$ 100 mil depois das eleições. O STF ainda irá decidir se inicia uma investigação, motivada pela descoberta de uma troca de mensagens entre Marcelo Odebrecht e uma pessoa identificada como Benedicto Barbosa da Silva Júnior. Que fique claro: não há nenhuma comprovação de que eu tenha recebido qualquer quantia da referida empresa.
Respondi a revista e reforço aqui:
Não recebi qualquer doação da Odebrecht,
Todas as doações recebidas em 2014 foram legais e registradas na prestação de contas da campanha, nenhuma delas foi da empreiteira.
Nunca conversei com Marcelo Odebrecht ou com qualquer pessoa que tenha se identificado como seu emissário.
Enquanto candidato, não autorizei qualquer pessoa a falar em meu nome.
Amanhã mesmo acionarei a PGR e a Odebrecht para obter esclarecimentos.
Ademais, aguardarei o rápido tramite da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos.
Já disse uma vez e volto a registrar, não vão me meter no meio dessa lama.

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