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Mais de 700 caminhões de grãos e carnes seguem parados na fronteira com Venezuela, diz governo de RR

Greve gera fila de cerca de 700 caminhões em Roraima no posto da Receita Federal. Foto: Reprodução

Enquanto segue o impasse entre a elite do funcionalismo federal e o governo de Jair Bolsonaro, mais de 700 caminhões já estão parados na fronteira do Brasil com a Venezuela esperando a liberação pela Receita Federal. O Fisco chegou a informar na noite de quarta-feira, 5, que o movimento estaria voltando ao normal, mas, de acordo com o governo de Roraima, os auditores fiscais concordaram em liberar apenas entre 20 e 30 caminhões por dia em Pacaraima.

A maior parte da frota leva alimentos exportados pelos produtores roraimenses ao país vizinho, que enfrenta há anos restrições de produção. De acordo com o governo de Roraima, uma carga estimada em R$ 150 milhões está parada na fronteira. A maior parte é de gêneros não perecíveis em curto prazo, como grãos, mas há também mantimentos que preocupam, como carnes. A expectativa é de que as cargas mais sensíveis tenham prioridade no despacho aduaneiro.

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), se reuniu na quarta com os sindicatos de transportadores da região e com representantes o Sindifisco no Estado. O impasse, porém, está nas mãos do governo federal. Por isso, a assessoria do governador informou que ele deve tentar retomar as conversas com o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira. Na quarta, a equipe de Guedes negou que ele tenha dado alguma sinalização para o governador sobre a abertura de negociação com os auditores fiscais.

Procurado nesta quinta, o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), relatou que não houve nenhum avanço nas negociações com o governo sobre o bônus de eficiência. A categoria segue em “operação tartaruga” e mais de 1.200 auditores já haviam entregado os cargos de chefia e coordenação no começo dessa semana, em um total de 7.500. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) também aguarda uma resposta do ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni. Até o momento 160 auditores do Trabalho também deixaram suas posições de comando, de um total de 298.

O movimento começou após o presidente Bolsonaro anunciar em dezembro que faria uma reestruturação das carreiras policiais ligadas ao Ministério da Justiça, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. O governo chegou a reservar R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 para atender apenas as categorias de segurança que são base de apoio do seu governo.

O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) aprovou no fim de dezembro um calendário de mobilização de servidores públicos por reajuste salarial, incluindo paralisações em janeiro – a primeira no dia 18 -, e assembleias em fevereiro para deliberar sobre uma greve geral. O presidente do Fonacate, Rudinei Marques, confirmou hoje que não houve até o momento qualquer sinalização do governo no sentido de abrir uma negociação.

 

POR EDUARDO RODRIGUES / ESTADÃO

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