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Juro em dois dígitos eleva atratividade do Tesouro Direto, dizem especialistas

Selic funciona como forma de piso para as demais taxas cobradas no mercado MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

A oportunidade de ganhos com a volta da taxa Selic ao patamar dos dois dígitos, confirmada pelo Banco Central na semana passada, aguça o apetite dos investidores por aplicações em renda fixa.
Dentre as oportunidades que essa classe de ativo oferece, a de menor risco, e com taxas de rentabilidade bastante atraentes, na avaliação de especialistas, é a dos títulos públicos.
Esses papéis nada mais são do que dívidas emitidas pelo governo por meio do Tesouro Nacional, que oferecem uma taxa de retorno para atrair o investidor e que podem ser negociadas através da plataforma digital Tesouro Direto.
Existem três principais opções de títulos que podem ser adquiridos por meio da plataforma digital: os papéis Tesouro Prefixado, que oferecem ao investidor uma taxa de juros nominal previamente estabelecida; os papéis Tesouro IPCA, em que há uma taxa preestabelecida, acrescida da variação do índice oficial de inflação; e o Tesouro Selic, que acompanha de perto o rendimento da taxa básica de juros.
Segundo Orlando Bachesque, assessor do escritório Alta Vista Investimentos, as taxas de retorno dos títulos públicos vêm em trajetória ascendente desde meados do ano passado, seja em razão do próprio aumento da Selic, seja devido às incertezas relativas à economia e à política do país em 2022, que fazem com que os investidores cobrem mais para emprestar seu dinheiro ao governo.
Na sexta-feira (4), os papéis Tesouro Prefixado com vencimento para 2024, por exemplo, tinham uma taxa de retorno nominal de 11,28% ao ano. No caso dos papéis Tesouro IPCA para 2030, a taxa de juro real, ou seja, acima da inflação, era de 5,38% ao ano.
Especialistas do mercado de investimentos apontam que, diante do nível de taxas que tem sido praticado ultimamente, há algumas boas oportunidades a serem capturadas pelos investidores nos títulos públicos neste momento.
O que vai definir qual a melhor das alternativas será o perfil de risco e o horizonte de investimento de cada um, diz Mauro Morelli, estrategista do escritório Davos Investimentos.
Para aquela parcela dos recursos que deve ser mantida como uma espécie de colchão de liquidez, que precisa estar disponível rapidamente em caso de qualquer emergência, as melhores opções, diz o estrategista, são os papéis Tesouro Selic. Em especial agora, com a taxa de juros de volta aos dois dígitos e com a perspectiva de que suba ainda mais um pouco, afirma Morelli.
Já para aquele dinheiro que pode ficar investido por um pouco mais de tempo, o estrategista da Davos afirma que vê com bons olhos as taxas de retorno ofertadas pelos papéis Tesouro IPCA, principalmente os com vencimento de médio prazo, entre 2026 e 2035.
“Ocorreu um aumento importante do juro real em 2021, que deve continuar neste ano, embora a maior parte do movimento já tenha ocorrido. Nesse sentido, ativos atrelados ao IPCA podem ser atrativos para investidores com um foco de médio prazo”, diz Morelli.
Embora a expectativa majoritária do mercado apontada pelo relatório Focus seja de uma desaceleração importante da inflação à frente, ele lembra que, em um ano repleto de incertezas, no Brasil e no exterior, não é possível descartar que os preços sigam ainda pressionados por mais algum tempo.
O estrategista acrescenta ainda que, no caso dos prefixados, apesar de as taxas se encontrarem na casa dos dois dígitos, é possível que essa remuneração oferecida pelos papéis venha a subir ainda mais um pouco a curto prazo, acompanhando o novo aumento previsto para a taxa Selic.
“Das três opções no Tesouro Direto, os prefixados são os de que menos gosto atualmente”, afirma o estrategista da Davos, que diz ainda que esses papéis devem se tornar uma alternativa mais atraente quando o ciclo de aperto monetário for encerrado.
Chefe de análise de renda fixa da XP, Camilla Dolle diz que, para aqueles que tiverem interesse em aplicar em títulos no Tesouro Direto, é importante lembrar que, conforme os juros aumentam, a rentabilidade dos papéis que já estão na carteira do investidor tende a ficar negativa.
Isso em razão de um efeito conhecido pelos agentes financeiros como marcação a mercado, que é quando o título que foi adquirido anteriormente por uma taxa mais baixa passa a oferecer uma taxa maior devido às condições de mercado.
Camila diz que, em 2021, o papel Tesouro IPCA 2045 registrou uma rentabilidade negativa de 25,4%, em uma toada que prosseguiu em 2022 – em janeiro, o título teve queda de 4,04%. A especialista da XP assinala que, quanto mais longo o título, mais volátil o seu comportamento.
No entanto, ela acrescenta que essas perdas só serão de fato realizadas caso o investidor resgate o título antes do prazo final. Se o papel for carregado até o vencimento, o retorno entregue, afirma, será exatamente aquele que foi acordado no momento da compra.
“É importante que as pessoas tenham consciência dessas oscilações, que devem continuar ocorrendo neste ano de eleições e cenário externo mais incerto, até para que possam se proteger. O ideal é comprar títulos com prazos condizentes com o objetivo delas”, afirma a sócia da XP.
Ela considera os papéis Tesouro IPCA com vencimento em 2030, que na sexta-feira eram negociados com uma taxa de juro real de 5,38%, com uma boa relação entre risco e retorno.
“Não é um prazo tão longo e, com isso, o investidor fica sujeito a uma volatilidade menor em comparação a títulos de vencimento mais dilatados.”
“A volatilidade deve seguir presente no mercado, mas talvez em uma magnitude não tão significativa. Até porque, é preciso lembrar, no ano passado a Selic saiu de 2% para 9,25%.
E a expectativa para este ano é de uma alta em intensidade muito menor”, afirma Bachesque, da Alta Vista.
No relatório Focus, as projeções indicam uma Selic de 11,75% em dezembro, o que embute mais uma alta de um ponto percentual, após a decisão de quarta que levou a taxa básica de juros de volta aos dois dígitos, para 10,75% ao ano.
“Para títulos de prazo mais longo, também tenho preferência pelos indexados ao IPCA, que dão ao investidor o conforto da proteção contra o risco de a inflação permanecer alta”, afirma o assessor.

 

LUCAS BOMBANA / (FOLHAPRESS)

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