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Impeachment deve passar na Câmara e não há barganha que salve, diz cientista político

Foto: Olhar Direto

Para o cientista política Jeverson Missias, muro em Brasília é perigoso e pode virar arma

Para o cientista política Jeverson Missias, muro em Brasília é perigoso e pode virar arma

O impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) deve ser aprovado na Câmara Federal, mas ainda há dúvidas sobre a recepção do processo no Senado. A previsão é do cientista político Jeverson Missias, que acredita que os deputados são mais suscetíveis ao clamor popular do que os senadores. Para o analista, nenhuma barganha do governo com cargos e ministérios será capaz de barrar o impeachment na Câmara. O relatório favorável ao impeachment foi aprovado na comissão especial na última segunda-feira (11) e a votação em plenário deve iniciar na sexta-feira (15) com desfecho somente no domingo, 17.
“Há duas variáveis que influenciam os votos dos deputados favoravelmente ao impeachment: o desgaste do Poder Executivo e o clamor popular, já que a maioria vai encarar a reeleição daqui dois anos e quer se preservar dos ataques da opinião pública. Acredito que na Câmara não existe barganha que salve a presidente. Ela dever perder lá, mesmo que seja uma votação apertada. Por outro lado, já arrefeceu um pouco, esfriou em função das ações impensadas do vice-presidente Michel Temer (PMDB), dando razão aos que dizem que é golpe. Ainda assim, não acho que seja suficiente para reverter a situação na Câmara”, analisou.
Os senadores, por outro lado, têm um mandato mais estável, de oito anos, e um terço deles só concluirá o mandato em 2022, portanto, estão menos suscetíveis a questões momentâneas, e podem esperar a recuperação da crise atual e o cenário que emergirá a partir daí. “O governo deve trabalhar principalmente em cima desses senadores que têm mais seis anos pela frente. Dependendo do encaminhamento dado pelo governo, o impeachment pode ser barrado no Senado. As chances são maiores que na Câmara”, acredita.
O analista criticou, ainda, a postura do vice-presidente Michel Temer (PMDB) que, na avaliação dele, perdeu credibilidade e está com a imagem abalada, assim como Dilma. “Hoje não é mais uma questão se o impeachment é certo ou errado. A questão é que estamos em crise e o país está buscando um momento novo. Mas na minha opinião, não vai mudar muito se não houver reformar profundas. O país vai continuar em marcha lenta. De qualquer forma, a situação tem que se resolver logo, de um lado ou de outro, para o país voltar a andar”, disse.
Muro de Brasília
Missias mostrou temor, também, com relação ao acirramento dos ânimos, principalmente durante as manifestações previstas para o próximo fim de semana, durante a votação do impeachment no plenário da Câmara. Haverá grupos pró e contra o impeachment, e um muro provisório dividirá os dois grupos em frente ao Congresso Nacional, para impedir que se encontrem.
“Temos de um lado pessoas querendo manter o poder, e de outro pessoas querendo chegar ao poder, que não admitiram perder a eleição. Os dois lados querem o poder pelo poder, e não para fazer o país avançar. Estou até temeroso com o comportamento de que está com fervor dos dois lados. Acho perigosa inclusive a ideia do muro em Brasília, porque ele pode servir de arma. É um muro com chapas de aço e barras de ferro, e o cordão de isolamento pode não ser suficiente para impedir os manifestantes de chegarem a ele”, observou.

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