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Entidade indígena da região onde Bruno e Dom foram mortos diz ser ‘marcada’ e temer nova ‘catástrofe’

Eliésio Marubo, representante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, em audiência no Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

Eliésio Marubo, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, deu declarações em audiência no Senado. Indigenista brasileiro e jornalista inglês foram mortos na região no início deste mês.

 

Eliésio Marubo, representante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, em audiência no Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliésio Marubo, afirmou nesta quarta-feira (22) que a diretoria da entidade está “marcada” e que teme uma nova “catástrofe” na região.

Marubo deu as declarações ao participar de audiência na Comissão Externa do Senado que investiga os assassinatos na região do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips.

Bruno, colaborador da Univaja, e Dom desapareceram no dia 5 deste mês no Vale do Javari. Dez dias depois, o governo federal anunciou ter encontrado “remanescentes humanos” no local onde as buscas eram feitas. Três suspeitos de envolvimento no caso já foram presos.

“Que país é esse que nós estamos vivendo, excelências? Quantos mais Brunos e quantos mais Doms têm que morrer? É público e notório que a diretoria da Univaja toda está marcada com a mesma marca que Bruno e o Dom. Temos que andar com segurança, temos que andar com carro blindado. Isso não é vida, nós não estamos em um país em guerra”, afirmou Marubo aos senadores.

Bruno Pereira (esq.) e Dom Phillips (dir.) — Foto: Foto: TV Globo/Reprodução

Bruno Pereira (esq.) e Dom Phillips (dir.) — Foto: Foto: TV Globo/Reprodução

Ameaças

Quando Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram, a Univaja informou que o indigenista estava recebendo constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.

O Vale do Javari é palco de conflitos violentos. Segunda maior terra indígena do país, a região é ocupada por grupos ilegais de madeireiros, caçadores, pescadores, garimpeiros e pelo narcotráfico.

‘Alvo’ do crime organizado

Aos senadores, Marubo também disse nesta quarta-feira no Senado que a entidade é “alvo” do crime organizado e que desde 2019 há um aumento da violência na região.

Segundo ele, relatórios com informações sobre as ameaças foram encaminhados para autoridades como o Ministério Público e a Polícia Federal.

“Trouxemos nossas preocupações que não foram ouvidas e o resultado foi esse: essa catástrofe que nós tivemos no Javari e certamente teremos mais. Eu estou afirmando que nós teremos mais. É importante que essa Casa atue, é importante que o Parlamento acompanhe essa situação para que a gente não continue tendo esse tipo de resultado na região do Vale do Javari”, afirmou o representante da Univaja.

Por Marcela Mattos, g1 — Brasília

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