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“Encruzilhada dos Tropeiros”: um grande romance de um notável cientista

Por Nilson Jaime, D.Sc.*

Soube pelo escritor Bento Fleury, presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para os Povos do Cerrado – Icebe – , no grupo de whatsapp da instituição, que o livro Encruzilhada dos Tropeiros, de Tarciso Filgueiras (1946 – 2019) é “Belíssimo! Um romance que trata da vida no sertão de Goiás. Uma leitura impressionante”.

Lembrei-me que Tarciso faleceu recentemente, de câncer.

Era engenheiro agrônomo, um botânico brilhante, especialista em gramíneas.

Eu o entrevistara poucos dias antes de sua morte para meu livro “Estrela do Cerrado – a Escola de Agronomia da UFG” , em construção.

Nós dois de máscaras, a três metros de distância, prenunciando a pandemia de covid-19 que o cientista não presenciaria: a “doença”, flagelo crônico que crassa a humanidade desde sempre, foi mais rápida.

Publiquei seu obituário no Jornal Opção, edição de 19 de maio de 2019, em matéria intitulada
“Morre Tarciso Filgueiras, referência da Botânica brasileira, aos 73 anos. Tinha câncer”, conforme transcrição a seguir:

“Tarciso Filgueiras formou-se engenheiro agrônomo em 1971, na ‘Estrela do Cerrado’ — a Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Funcionário da Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, conciliou seus estudos na faculdade pioneira em agronomia no Estado de Goiás com as atividades profissionais e um curso avulso de inglês. O conhecimento dessa língua foi determinante para sua seleção ao programa de mestrado em Corvallis, University of Oregon, nos Estados Unidos, em 1975. Com bolsa do United States Agency For International Development–USAID, tornou-se mestre em Botânica, em 1977, orientado pelo dr. K. Chambers, discorrendo sobre o gênero “Cenchrus” no Brasil.

Em 1983 iniciou doutorado em Biologia Vegetal na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação do dr. George J. Shepherd, defendendo sua tese em 1986, uma ‘Revisão de Mesosetum Steude (Graminae)’ . Entre 1991 e 1993 desenvolveu trabalhos de pós-doutorado no The Missouri Botanical Garden.

Mesmo durante sua convalescença, manteve-se atuante como pesquisador e escritor. Era membro do corpo editorial dos periódicos
‘Acta Amazonica’, _’PolishJournal of Botany’ e ‘Bamboo Science & Culture’ .

Também membro do conselho superior da Sociedade Botânica do Brasil (SBB), professor participante da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), colaborador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor credenciado colaborador da Universidade de Brasília (UnB). Atuou no magistério na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Não obstante a grave doença, mantinha vínculos com a área acadêmica, por intermédio do ensino e pesquisa.

Publicou 106 artigos científicos, 25 capítulos de livros e 10 livros solo, alguns sobre temas técnicos (bambus, taquaras e tabocas) e outros de literatura ficcional. É de sua lavra, dentre outros: “O Roseiral de Henriqueta” (poesia); “Talhos & Retalhos” e dois romances — “Tempo de Tarumã” e “Encruzilhada dos Tropeiros” . Recentemente o entrevistei para biografá-lo no livro “Estrela do Cerrado — A Escola de Agronomia da UFG” , em preparação, no qual será um dos destaques.

Tinha 73 anos. Será sepultado às 17 horas do dia 19/05/2019, no Cemitério Vale do Cerrado, Rodovia GO-060, km 7, saída para Trindade. As comunidades agronômica e botânica brasileiras perdem com sua ausência”.

Não tive acesso às obras literárias de Filgueiras, exceto as científicas, já que seus livros encontram-se com tiragens esgotadas. Assim, a notícia de seu romance vai por indicação de leitura, que pretendo seguir. Mas esse artigo é um pretexto para rememorar um grande cientista.

Tarciso Filgueira, poeta, romancista e cientista já faz falta. Está presente, contudo, em sua obra, dentre as quais “Encruzilhada de Tropeiros” , elogiada por Bento Fleury.

*Nison Jaime é doutor em Agronomia,
membro do Instituto Histórico e Geográfico
de Goiás (HGG), vice-presidente do Icebe e
presidente da Academia Palmeirense de
Letras, Artes, Música e Ciências (Aplamc)

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