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Emissário dos EUA se reúne com Bolsonaro e propõe reunião bilateral com Biden

O democrata Christopher Dodd, ex-senador americano e enviado do governo Biden ao Brasil, no Palácio do Planalto - Gabriela Biló - 24.mai.22/Folhapress

Ex-senador Christopher Dodd tenta convencer presidente brasileiro a ir à Cúpula das Américas

O presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu na manhã desta terça-feira (24), em Brasília, o enviado especial do governo dos Estados Unidos para a Cúpula das Américas, Christopher Dodd. Ele disse ao brasileiro que o líder americano, Joe Biden, aceitaria fazer uma reunião bilateral com Bolsonaro às margens do evento.

Agora, o presidente brasileiro deve decidir se vai ou não aos EUA nas próximas 48 horas. O governo americano, que organiza esta edição da cúpula, está preocupado com um possível esvaziamento do encontro, a ser realizado em Los Angeles no início de junho. Por isso, enviou um emissário para tentar convencer o presidente brasileiro a comparecer à reunião.

O encontro no Palácio do Planalto durou menos de uma hora. O objetivo da viagem de Dodd, ex-senador democrata, foi, mais do que fazer o convite, manifestar a importância da participação do governo brasileiro no encontro, de acordo com pessoas envolvidas nos preparativos da reunião. Procurada, a embaixada americana em Brasília não se manifestou sobre o que foi discutido entre Dodd e Bolsonaro.

A nona edição da Cúpula das Américas foi idealizada pelos EUA como forma de simbolizar o retorno da liderança do país sob Biden em assuntos da América Latina. Durante a presidência de Donald Trump, o republicano faltou ao evento em 2018, tornando-se o primeiro líder americano a negligenciar o encontro.

Apesar de uma bilateral com o líder americano ser desejada por membros do governo brasileiro —seria, afinal, uma maneira de reforçar o argumento de que o Brasil na verdade não enfrenta um isolamento internacional—, o contato com Biden, um democrata, é visto por membros da pré-campanha de Bolsonaro como algo de pouco valor eleitoral, já que o presidente é aliado declarado de Trump.

Durante a campanha eleitoral americana, em 2020, o brasileiro disse que torcia pela reeleição do republicano. Mesmo depois de a vitória de Biden ser confirmada, repetiu teorias trumpistas de que o resultado teria sido fraudado —o governo americano nunca encontrou qualquer indício disso— e foi um dos últimos líderes a cumprimentar o democrata.

A cúpula deste ano pode ficar esvaziada não apenas porque Bolsonaro sinalizou resistência a comparecer, mas também porque o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, indicou que pode faltar.

Por isso, antes de vir ao Brasil, Dodd teve uma reunião virtual com Obrador para tentar reverter a decisão de não ir a Los Angeles. Para os americanos, realizar o encontro nos EUA sem os governantes das duas maiores economias da região seria um fiasco diplomático e reforçaria a imagem de que Washington já não tem o protagonismo de outrora. Obrador disse na semana passada que só irá à cúpula caso os EUA convidem os governos de Cuba, Nicarágua e Venezuela, ditaduras consideradas párias por Washington. ​

Embora um convite aos regimes autoritários esteja fora de cogitação, interlocutores avaliam que a flexibilização de sanções e restrições contra Cuba e Venezuela, anunciadas na semana passada, também foram sinalizações de Biden para tentar dobrar a resistência do líder mexicano.

Os EUA anunciaram a retirada de medidas impostas durante o governo Trump a remessas de dinheiro e viagens a Cuba. Na prática, as novas determinações facilitam, entre outros pontos, o envio de dólares de cubanos que moram nos EUA para familiares na ilha. Já o alívio das sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro deve permitir que a estatal petrolífera PDVSA realize negócios antes proibidos.

Um alto funcionário do governo americano ouvido pela agência de notícias AFP disse esperar que uma das principais consequências do anúncio seja a retomada das negociações entre chavistas e membros da oposição venezuelana no México, sob mediação da Noruega.

A agência Reuters informou que autoridades americanas cogitam permitir a presença de um enviado de Havana sob a condição de que ele tenha cargo abaixo do ministério das Relações Exteriores. A discussão, porém, está no início, e ainda não se sabe se o regime cubano aceitaria o convite sob esses termos.

 

 

 

FOLHA DE SÃO PAULO

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