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Eleições 2022. Campanha de Bolsonaro vive racha na comunicação entre Carlos e aliados do Centrão

Bolsonaro escuta o filho Carlos Bolsonaro durante entrevista dada, da Rússia, ao programa Pingo nos I's, da Jovem Pan - Jair Bolsonaro no YouTube - 16.fev.2022

‘Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing’, escreveu vereador no Twitter

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) vive um racha na comunicação entre aliados do centrão e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do mandatário e responsável pelas redes sociais do pai.

Considerado o mentor da atuação de Bolsonaro nas plataformas digitais, Carlos é crítico das estratégias convencionais do marketing eleitoral.

Antes internas, as divergências se tornaram públicas nesta semana em uma mensagem do vereador veiculada no Twitter.

“Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing…. Meu Deus!”, disse Carlos, com emojis de risada, em resposta a uma publicação sobre o slogan que seria usado por Bolsonaro na inserção do PL na TV protagonizada pelo pai.

“Sem pandemia, sem corrupção e com Deus no coração, seremos uma grande nação”, diz Bolsonaro nas peças publicitárias.

Numa das inserções, de 30 segundos, Bolsonaro aparece numa roda de conversa com jovens, em que exalta Deus, a família e destaca a importância de que eles ouçam os conselhos dos pais. A equipe de marketing do partido também retratou um presidente calmo, para tentar diminuir a percepção de que o líder tem temperamento explosivo.

Segundo relatos, Carlos tem se queixado do que considera a linguagem mais artificial que os publicitários têm tentado conferir a Bolsonaro. O filho do presidente argumenta em conversas que é justamente a espontaneidade que diferencia o presidente dos demais candidatos.

A disputa pelo comando das estratégias de comunicação é uma constante na carreira política de Bolsonaro desde que ele se lançou ao Palácio do Planalto. A interferência de Carlos na área também é alvo de críticas internas desde o início do governo, mas ele se consolidou como o principal conselheiro do pai para assuntos de comunicação digital.

Tanto que a equipe de comunicação do PL não tem qualquer ambição de tentar reduzir a influência de Carlos, considerada hoje incontornável para quem assessora o presidente em assuntos de mídias.

O marqueteiro do PL que atuou nas propagandas que serão veiculadas até 11 de junho é Duda Lima. Na campanha, ele também tem a missão de tocar a estratégia de comunicação nas mídias tradicionais.

Nome com ligação histórica com o PL, ele tem experiência em campanhas passadas e foi indicado pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.

De acordo com interlocutores, as críticas de Carlos não são personalizadas à figura de Lima, uma vez que o vereador sempre se opôs à ideia de seguir as estratégias eleitorais clássicas.

Diante das queixas de Carlos, conselheiros de Bolsonaro têm tentado conciliar a visão do vereador e incorporar sugestões feitas por ele nas peças preparadas pela equipe de marketing. Isso porque ele segue como uma das pessoas mais ouvidas pelo presidente.

Em 2019, Bolsonaro disse que Carlos foi o responsável por sua eleição.

“Ah, o pitbull? Tá atrapalhando o quê? Não me atrapalhou em nada. Acho até que devia ter um cargo de ministro. Ele que me botou aqui. Foi realmente a mídia dele que me botou aqui. E ele não tá pleiteando cargo de ministro. Poderia botá-lo, mas não tá pleiteando isso aí”, declarou, na ocasião.

Além disso, no período de transição, Bolsonaro chegou a cogitar a recriação da Secretaria de Comunicação Social e a nomeação do vereador para chefiá-la. A ideia não foi adiante.

Questionados sobre as críticas de Carlos, membros da campanha jogam panos quentes sobre o caso e dizem que é normal que o vereador exponha suas divergências. O objetivo atual da ala política da comunicação, dizem, é encontrar soluções para que Bolsonaro possa se defender de ataques de adversários sobre a alta dos preços dos combustíveis, por exemplo.

Interlocutores ouvidos pela Folha dizem reservadamente que a comunicação da campanha de Bolsonaro deve ser dividida em dois braços: uma tocada pelo PL e outra liderada por Carlos.

A ideia é que os dois times atuem de forma independente, mas que o filho do presidente tenha a palavra final sobre a presença de seu pai nas redes sociais. Carlos deve liderar uma equipe formada por integrantes do chamado gabinete do ódio, estrutura montada no Palácio do Planalto para produzir mensagens de difamação contra antagonistas do presidente.

O QG eleitoral do presidente é coordenado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo presidente do PL. Conta ainda com participação ativa de Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil e cacique do PP.

O filho do presidente não participa das reuniões de campanha e desde o início apresentou ressalvas à profissionalização dela.

A profissionalização da estrutura política em torno de Bolsonaro não se limita ao marketing. Passa também por uma equipe jurídica liderada pelo ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Tarcísio Vieira de Carvalho Neto e pela advogada Caroline Maria Vieira Lacerda; e envolve a própria migração do mandatário para o PL, partido com maior acesso ao fundo eleitoral e a tempo de televisão.

A aposta do núcleo político é que Bolsonaro não se reelegerá da mesma forma como em 2018, apenas com redes sociais. Dessa forma, será preciso investir nas ferramentas tradicionais de campanha.

Entraves resolvidos

  • Equipe com experiência de campanha, diferentemente do que ocorria em 2018
  • Arco de alianças com partidos do centrão (hoje Bolsonaro conta com PL, PP e Republicanos)

Entraves atuais

  • Resistência de Carlos Bolsonaro a trabalho com equipe de aliados
  • Alta no preço dos combustíveis e pressão da inflação sobretudo entre os mais pobres
  • Desvantagem nas pesquisas, incluindo rejeição mais elevada
  • Dificuldade em avançar politicamente no Nordeste

 

 

MARIANNA HOLANADA / MATHEUS TEIXEIRA / JULIA CHAIB / FOLHAPRESS

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