Latest Posts

- Advertisement -
Click News

Latest Tweets

Artigos

COVID NÃO DÁ TRÉGUA 2

Nova variante do coronavírus domina 95,9% das amostras sequenciadas no Brasil: vacinação em massa evita explosão de casos graves (foto: JUSTIN TALLIS afp)

Por Jose Ribeiro*

O que está acontecendo no Brasil nesse momento em relação à covid-19 é de uma irresponsabilidade inadmissível, falta de consciência coletiva e que pode colocar o país de joelhos diante do recrudescimento da pandemia.

Estava indo tudo bem, o processo de vacinação estava conseguindo debelar a pandemia e viramos o ano numa situação muito boa do ponto de avanço no combate.

Número de novos casos em queda, número de óbitos também e com isso o índice de pessoas recuperadas na faixa de 96%, um recorde mundial.

Mas já havia um alerta no ar com base no que estava acontecendo em outros países, como no caso liberação de torcedores em estádios de futebol na Europa e vimos estádios abarrotados com 60/70 mil torcedores apinhados, sem uso de máscara e logo em seguida houve explosões de novos casos na Alemanha, França e Reunido Unido, ainda no segundo semestre de 2021.

Nos EUA, em determinados dias sugiram 1 milhão de novos casos em 24 horas.

E por aqui não vimos qualquer tipo de providência por parte do poder público em todos os níveis, cujas autoridades estavam numa discussão estéril se devíamos ou não vacinar as crianças.

Com isso veio o final de ano e como se a pandemia tivesse acabado de uma hora para outra, todo mundo resolveu baixar a guarda, viajar como se nada tivesse acontecendo e os cuidados diários foram negligenciados, em alguns casos por atitudes populistas de prefeitos que liberaram o uso de máscara em locais públicos e outros que liberaram festas de arromba de réveillon.

A natureza colocou em nós dois mecanismos de proteção: medo e dor.

Quando perdemos qualquer um dos dois, ficamos num estado de vulnerabilidade muito extenso. O risco maior, neste momento é achar que o perigo deixou de existir e não ter medo de nada, porque isso nos deixa desatentos como está ocorrendo com as hordas de viajantes despreocupados, sem perceber que à nossa volta continuam rondando coisas com um nível de fatalidade que não pode ser desprezível.

O maior perigo hoje é achar que não há perigo.

Achar que porque tomou duas doses de vacina não vai ser contaminado. Sem contar o número de pessoas que não compareceram sequer para tomar a segunda dose, quanto mais a dose de reforço.

O fato de estar em dia com a vacinação significa que temos uma proteção maior do que sem a vacina, mesmo assim corremos o risco de ser contaminados. Aí que mora o perigo porque o vacinado pode ser contaminado de forma leve e imperceptível e só vai se dar conta de que esteve com covid-19 quando sentir os problemas pulmonares, como cansaço, alguma dificuldade para respirar.

Foi o que aconteceu comigo que acompanho passo a passo os acontecimentos e até já escrevemos outros artigos aqui comentando sobre esse tema.

Tomamos todas as providências necessárias para evitar contágios, mas não tenho como deixar de viajar a serviço e foi numa dessas viagens que fui pego pelo vírus. Apesar de que em 2021 tomei a vacina contra gripe, tomei as duas doses de vacina covid normal e a dose de reforço.

Na terceira semana de janeiro eu estava meio “baqueado” após a recuperação de uma lesão muscular e nesse período fui contaminado e nem percebi. Só me dei conta de que havia algo errado quando tive insônia e quando faltou fôlego para a caminhada diária. No primeiro dia fiz meia volta e retornei da metade do trajeto e no segundo dia estava um pouco pior.

Fui ao médico e ao medir o nível de oxigenação no sangue e auscultar meus pulmões solicitou uma tomografia pulmonar de emergência. Com o resultado em mãos confirmou a suspeita de que estive com covid-19, que deixou um rastro de quase 30% de danos pulmonares e agora estou fazendo tratamento com Azitromicina, Dexametasona e ainda tomando uma megadose de vitaminas para repor as energias.

No auge da pandemia falou-se muito numa mudança no comportamento das pessoas e que depois do pesadelo nada seria como antes, mas ao que vejo nada mudou e nem vai mudar no comportamento da maioria das pessoas que estão preocupadas apenas com o agora, mas isso poderá ser muito dolorido na hora de arcar com as consequências.

Não acho que a humanidade irá se converter à solidariedade. Também não acho que ficaremos do mesmo modo, que olharemos as coisas da mesma forma.

Mas acontece que, quando vemos o arco-íris muitas vezes seguidas, ele vai deixando de ser deslumbrante para ser comum. O olhar habitual sobre as coisas nos amortece um pouco. Não há dúvida de que, quando essa penumbra se dissipar, não vamos olhar do mesmo modo algumas coisas, mas não será um modo um olhar inédito.

Não creio numa redenção, creio que muita gente, após um susto tomado, vai olhar algumas coisas de uma perspectiva diferenciada. Mas, quando se olha a humanidade ao longo da história, percebe-se que nunca demos sinais de que aquilo que nos traumatiza, quando termina, nos redime.

As lições são aprendidas por uma parte, mas há uma outra parte que só quer voltar ao normal e é essa parte que colocando lenha na fogueira, querendo voltar ao normal antes da normalidade se estabelecer!

 * JOSE RIBEIRO é
Consultor e Gestor de Treinamento há mais de 20 anos nas áreas Tributária, Fiscal, Trabalhista e Previdenciária.
Graduado em Administração com Pós-graduação em Gestão de Custos e MBA em Gestão Tributária
[email protected]

Deixe um comentário