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Coronavírus pode invadir o cérebro e provocar infecção mais grave e letal em humanos

Estudo comprova que vírus também é capaz de invadir cérebro, ataca rins, fígado, vasos sanguíneos e coração. (Foto: divulgação)

Estudo comprova que vírus também é capaz de invadir o cérebro, atacar rins, fígado, vasos sanguíneos e coração. Grupo americano estudou o tecido cerebral de um adulto morto por Covid-19

 

O novo coronavírus é capaz de invadir o cérebro e pode provocar uma infecção mais grave e letal do que a registrada nos pulmões. É o que aponta dois trabalhos científicos brasileiros assinados por especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fiocruz e Instituto Dor, publicados nesta segunda-feira (14).

Segundo as pesquisas, o principal alvo do coronavírus é o pulmão. Já outros estudos apontam que ele também ataca os rins, o fígado, os vasos sanguíneos e o coração. Metade dos pacientes apresenta sintomas neurológicos, como confusão mental, anosmia (ausência de olfato), delírio e risco aumentado de AVC, sugerindo que o vírus ataca também o cérebro.

Sobre a pandemia de covid-19, um terceiro trabalho, da Universidade de Yale, publicado na quarta-feira passada, chega a conclusões semelhantes de forma complementar aos estudos brasileiros. “Nosso laboratório trabalha com o cérebro e o sistema nervoso central. Essa era a pergunta natural de se fazer diante dos relatos médicos”, dizem os pesquisadores.

O grupo teve acesso aos resultados de uma necropsia feita em uma criança de 1 ano e 2 meses morta por covid e constatou a primeira evidência  da presença do vírus dentro do cérebro.

Um segundo estudo feito a partir das observações in vitro, não foi capaz de identificar a replicação do vírus Sars-Cov2 dentro das células cerebrais, como o grupo já havia demonstrado com o vírus da zika no passado. Ficou constatada uma ligação do vírus com as células da barreira hematoencefálica – que protege o cérebro contra agentes infecciosos.

A forte reação inflamatória causada para a defesa do organismo seria responsável pelas alterações neurológicas encontradas. O estudo da Universidade de Yale, que também foi divulgado em uma plataforma de pré-print, e ainda sem revisão dos pares, chega a uma conclusão um pouco diferente. O grupo de Yale, liderado pela imunologista Akiko Iwasaki, conseguiu flagrar a replicação do vírus nas células.

O grupo americano estudou o tecido cerebral de um adulto morto por covid, um camundongo infectado e também organoides (células cerebrais cultivadas em laboratório). As descobertas são consistentes com observações feitas por outros especialistas, como o brasileiro Alysson Muotri, neurocientista da Universidade da Califórnia, em San Diego, que também trabalha com organoides in vitro.

As descobertas são também compatíveis com as observações feitas pelos clínicos na linha de frente do tratamento de pacientes com covid-19.

Alysson Muotri explica que o vírus infecta as células por meio de uma proteína chamada ACE2. Essa proteína aparece em diversas partes do corpo, especialmente nos pulmões. O Sars-Cov2 chega ao cérebro pelo bulbo olfatório, pelos olhos, e pela corrente sanguínea.

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