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Copa do Mundo 2022: como o Catar tratou os trabalhadores que construíram os estádios?

GETTY IMAGES Trabalhadores de países como Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka estão construindo os estádios da Copa

O sorteio dos grupos das seleções da Copa do Mundo deste ano no Catar, no Oriente Médio, atraiu a atenções de milhões nesta sexta-feira, 1º de abril.

É o torneio mais controverso da história da Fifa, com questionamentos sobre como o Catar conquistou o direito de ser sede da Copa, o tratamento aos trabalhadores que estão construindo os estádios e se o país é um local adequado.

Veja abaixo algumas questões sobre a próxima Copa do Mundo, que começa no dia 21 de novembro:

Tratamento dos trabalhadores

O Catar está construindo sete estádios para o torneio, um novo aeroporto, metrô e novas estradas.

A final será disputada em um estádio que também receberá outras nove partidas e também será o ponto central de uma nova cidade (Lusail, o mesmo nome do estádio), situada a 15 km de Doha, a capital do Catar.

Mas o governo local recebeu muitas críticas pelo tratamento aos 30 mil imigrantes que trabalham nos projetos da Copa.

Em 2016, o grupo de direitos humanos Anistia Internacional acusou o Catar de usar trabalho forçado. Ele disse que muitos trabalhadores estavam vivendo em acomodações precárias, pagando altas taxas de recrutamento, com salários retidos e passaportes confiscados.

Operário de Bangladesh em uma das acomodações para trabalhadores de obras da Copa do Catar

O governo do Catar havia prometido melhorar as condições dos trabalhadores das obras da Copa – CRÉDITO,AFP VIA GETTY IMAGES

Desde 2017, sob pressão, o governo catariano apresentou medidas como proteção para o calor excessivo, limite de horas de trabalho e melhores condições nos acampamentos de trabalhadores.

No entanto, o grupo Human Rights Watch disse em um relatório de 2021 que os trabalhadores estrangeiros ainda sofriam “deduções salariais punitivas e ilegais”, bem como “meses de salários não pagos por longas horas de trabalho exaustivo”.

A Anistia Internacional também diz que, apesar da abolição do sistema de “kafala” – ou patrocínio -, que impedia a saída dos imigrantes de seus empregos sem o consentimento do empregador, a pressão ainda estava sendo exercida sobre os funcionários.

Um porta-voz do governo disse à BBC: “Foi feito um progresso significativo para assegurar que as reformas sejam efetivamente aplicadas”. Ele disse que o número de empresas que desrespeitam as regras “continuará a diminuir à medida que as medidas de fiscalização forem implementadas”.

Quantos trabalhadores morreram?

Em fevereiro de 2021, o jornal britânico The Guardian disse que 6.500 trabalhadores migrantes da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Catar desde que país conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo.

As mortes, relatadas pelas autoridades dos cinco países asiáticos, não foram categorizadas por ocupação, local ou trabalho. Mas o grupo de direitos trabalhistas FairSquare disse que era provável que muitas das mortes ocorreram durante projetos de infraestrutura do torneio.

O governo do Catar diz que os números são superestimados, porque incluem milhares de estrangeiros que morreram muitos anos depois de viver e trabalhar nas obras da Copa. Afirma ainda que muitos estariam trabalhando em empregos não relacionados à indústria da construção.

O Catar declarou que, entre 2014 e 2020, houve 37 mortes entre trabalhadores que construíram os estádios da Copa do Mundo. Mas diz que 34 dos óbitos “não estavam relacionados ao trabalho” – uma expressão que foi questionada por especialistas.

Relógio que faz contagem regressiva para a Copa do Mundo em Doha, capital do Catar

Relógio que faz contagem regressiva para a Copa do Mundo em Doha, capital do Catar – CRÉDITO,AFP VIA GETTY IMAGES

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que o Catar não contabilizou mortes súbitas entre os trabalhadores. A entidade afirma que o governo local registrou ataques cardíacos fatais e insuficiência respiratória causada por insolação como “causas naturais” em vez de “relacionadas ao trabalho”.

A OIT compilou seus próprios números de mortes a partir de dados de hospitais e serviços de ambulância no Catar relacionadas a todos os projetos da Copa do Mundo.

Segundo a contagem, 50 trabalhadores morreram e mais de 500 ficaram gravemente feridos no Catar somente em 2021. Outras 37.600 pessoas sofreram ferimentos leves a moderados.

As principais causas dessas mortes e ferimentos foram quedas de lugares altos, acidentes de trânsito e objetos que caíram sobre os trabalhadores.

É um local seguro para a população LGBT?

O Catar é um país muçulmano conservador e as relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas ilegais.

A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, e o comitê organizador do Catar foram questionados por grupos ativistas pelos direitos LGBT a promover mudanças nesse campo antes do início do torneio.

Isso inclui fornecer garantias de segurança, garantir o direito de entrada no Catar e não censurar a discussão de questões LGBT.

Os organizadores da Copa do Mundo do Catar já haviam dito anteriormente que todos são bem-vindos, mas “demonstrações públicas de afeto em geral, para homossexuais e não-homossexuais, não fazem parte de nossa tradição”.

Como o Catar virou sede da Copa?

A escolha da sede é controversa desde o momento do anúncio pela Fifa, em 2010.

O Catar é um país pequeno (embora muito rico), de pouca história no futebol e que nunca se classificou para a Copa. Surpreendentemente venceu a concorrência de EUA, Austrália, Coreia do Sul e Japão para abrigar o torneio.

Depois surgiram suspeitas de que funcionários da Fifa receberam suborno para dar a sede ao Catar. Uma investigação independente, encomendada pela própria entidade, disse que não foram encontradas provas concretas de irregularidades.

O Catar nega acusações de compra de votos dos delegados da Fifa, mas uma investigação de corrupção por autoridades francesas ainda está em andamento. Em 2020, os EUA acusaram três funcionários da Fifa de receber suborno.

Por que a Copa será no inverno?

O torneio geralmente é realizado em junho e julho, mas no Catar as temperaturas médias nessa época do ano ultrapassam os 40°C e podem chegar a 50°C – problemático para torcedores e ainda mais para quem vai jogar 90 minutos de futebol.

Durante o processo de licitação, o Catar prometeu tecnologia avançada de ar condicionado que resfriaria estádios, campos de treinamento e zonas “fan fest” a 23°C. No entanto, em 2015, a Fifa decidiu realizar o torneio no inverno.

A Copa do Mundo começa em 21 de novembro e a final é em 18 de dezembro. Isso significa que fica bem no meio da temporada dos clubes de muitos países.

A Premier League inglesa, por exemplo, não terá partidas disputadas entre 13 de novembro e 26 de dezembro.

Para compensar o tempo perdido, a temporada 2022/2023 começará uma semana antes do costume e terminará uma semana depois.

Por BBC News

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