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Caso Kiss: ex-funcionário diz que banda usou fogos em show antes

O ex-funcionário da boate Kiss, Stenio Rodrigues Fernandes, de 30 anos, é o primeiro a depor FABÍOLA PEREZ/R7

Ex-funcionário da boate Kiss Stenio Rodrigues Fernandes é o primeiro a depor e afirmou ter visto show uma semana antes

 

O empresário e ex-funcionário da boate Kiss Stenio Rodrigues Fernandes, de 30 anos, é o primeiro a depor no tribunal do júri dos réus acusados de serem os responsáveis pelo incêndio na boate Kiss, em janeiro de 2013. No depoimento, Fernandes afirma que havia frequentado, uma semana antes da tragédia, um show da banda Gurizada Fandangueira, no Centro de Eventos da Universidade Federal de Santa Maria, e chegou a afastar colegas do palco pelo uso de artefatos pirotécnicos.

“Foi uma coisa que me chamou atenção porque num fim de semana antes, no Centro de Eventos da Universidade Federal, presenciei e afastei os promoters do palco em uma situação. A gente se reunia na frente do palco, eles estavam utilizando os fogos. Estava chuviscando perto de onde a gente estava. Eu afastei algumas pessoas da frente. Não vi ninguém acendendo, só vi no momento em que estava aceso. Só vi na caixa de som alta. Não prestei atenção se estava nas mãos”, afirmou ao juiz Orlando Faccini Neto. Na boate Kiss, no entanto, ele diz nunca ter visto a banda utilizar fogos em apresentações.

“Estávamos todos na frente do palco e eu afastei todas as meninas porque estavam chuviscando os fogos. Alguma coisa me tirou daquela festa, naquela noite [na Kiss] Se eu tivesse lá, eu teria lembrado dessa experiência negativa e teria, sim, alertado alguém. Me recordo de algumas meninas que afastei.” Fernandes diz que não tinha contado com os membros da banda. “Não tinha nenhuma relação estreita com ninguém, se eu tivesse, com certeza, teria avisado”, diz.

A testemunha, que organizou diversos shows em Santa Maria, disse que as velas usadas nas champanhes eram comuns na época e, segundo ele, até hoje são utilizadas com frequência. Em relação à Elissandro Spohr, Fernandes disse que “como todo empreendedor” ele queria “ter sucesso” em seu negócio. “Todo mundo gostava dele, ele emprestava dinheiro.”

O empresário disse que chegou a frequentar a casa de Elissandro Spohr, sócio da boate, assim como os demais funcionários. Ele relata que não estava presente na casa noturna na madrugada da tragédia “Estava durante a tarde do dia 27, fiz os acertos dos ingressos e saí da casa entre 00h e 00h30. Eu fazia a arrecadação dos ingressos com as turmas”, afirma. Fernandes diz que o acerto dos ingressos tinha de ser realizado antes em função do planejamento do estabelecimento. “Tinha algumas datas que eu ficava responsável pela organização, tratava sempre com o Kiko.”

Após ter feito a venda dos ingressos, o empresário diz que recebeu um convite de um amigo, na noite do dia 27, para viajar para Caçapava do Sul, município do Rio Grande do Sul. “Eu tinha um bloco de carnaval e uma agência de comunicação. Ele insistiu muito até que me convenceu e eu fiz o acerto dos ingressos, peguei ele de carro e fomos para Caçapava.”

O ex-funcionário disse ao júri que via o sócio Mauro Hoffmann eventualmente na casa. “Poucas vezes me recordo de ter conversado com ele, tinha conhecimento de que ele era um sócio, mas nunca me reportei a ele”, afirma. Embora se lembre de ter presenciado algumas brigas na casa noturna, Fernandes afirma que a infraestrutura da casa era “a melhor” da cidade.

Durante o depoimento, o ex-funcionário disse que a boate abria às 23h e a fila na entrada começava a se formar entre 23h30 e 00h30. “Tinha essa variação de horário e normalmente ia até às 5h”, lembra. Ele disse também que lembra de ter visto extintores no espaço do pub e no fundo da boate, próximo do banheiro e ao palco. “Não sei precisar onde tinham os outros.”

Para a testemunha, baseado na comercialização dos ingressos, a casa não teria mais de 800 pessoas. Outro motivo apontado foi que como a casa oferecia mais de um estilo musical, pessoas que se identificavam com apenas um, deixavam a festa em algum momento. “O sertanejo era o mais esperado, mas tinha a banda do Rock, então existe o giro.”

O ex-funcionário disse que trabalhou na boate por dois anos e meio. Segundo ele, no primeiro no não existia planejamento. “No segundo ano, começou a ter mais”, disse. “A comanda era uma obrigação, se eu entrasse sem comanda, eu era advertido na hora.”

 

 

 

Fabíola Perez, do R7, em Porto Alegre (RS)

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