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Bolsonaro tenta usar Musk para atacar Lula e buscar ganho eleitoral

(Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

O presidente da república Jair Bolsonaro encontra o empresário Elon Musk, dona da Tesla e da SpaceX, durante o evento Conecta Amazônia, no hotel Fasano Boa Vista, no interior do estado de São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados tentam transformar a visita do empresário Elon Musk ao Brasil em um símbolo de sucesso do governo federal.
A ideia de pessoas próximas do mandatário é usar a reunião entre Musk e o chefe do Executivo, na sexta-feira (20), como uma prova de que o atual governo tem uma política externa acertada e é respeitado no mundo todo.
A imagem do encontro deve ser explorada para responder à tese de que Bolsonaro transformou o Brasil em um pária global, que não mantém boa relação com as principais economias do planeta e é recorrentemente criticado por celebridades e líderes políticos do mundo todo.
Além disso, também deve ser usada para contrapor Bolsonaro a seu principal adversário nas eleições deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Responsável pela estratégia de comunicação do pai, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) fez diversas publicações sobre o tema e procurou comparar a agenda do mandatário com o empresário apontado pela revista Forbes como o mais rico do mundo a encontros do petista com líderes comunistas da América Latina.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Evair de Melo (PP-ES), afirma que a repercussão da reunião entre os dois foi positiva e terá impacto para além do eleitor mais fiel do presidente.
“O Musk consegue falar com outro público, principalmente o público jovem. Como falar mal do Bolsonaro para o público jovem agora? Quem sou eu na fila do pão para criticar o presidente, uma vez que Musk vem aqui e reconhece o governo?”, argumenta.
Ele acredita que a visita do bilionário ao Brasil coroa os acertos de Bolsonaro na condução do país.
“A reação da população no geral mostra que os pessimistas de plantão mais uma vez fracassaram. Foi um golaço. Não é jogada de marketing, não é Leonardo di Caprio, Emmanuel Macron, que só fazem oba oba, foi colheita do que o que governo plantou”, diz.
O deputado avalia que a reunião entre os dois também servirá para reforçar o viés liberal da atual gestão federal e terá impacto positivo no pleito deste ano.
“Naturalmente isso vai ter reflexo nas eleições porque o mundo empresarial, o mundo econômico sabem quem é Elon Musk. Vai ser preciso pensar duas vezes antes de fazer um comentário raso sobre a política econômica do governo”.
O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), por sua vez, afirma que a visita de Musk comprova que os grandes atores da economia internacional admiram o governo brasileiro.
“A vinda do homem mais rico do planeta e um dos grandes visionários mundiais exclusivamente para se encontrar com o presidente Bolsonaro desmonta categoricamente a narrativa mentirosa de que o presidente tem uma imagem negativa no exterior”, diz.
O próprio Bolsonaro também explorou o encontro em suas redes sociais e chegou a postar uma foto editada em que ele aparece com Musk e o rapper americano Kanye West. “Deixando de lado os memes do zap, o encontro de hoje foi de grande importância na busca de soluções para problemas estruturais do Brasil”, escreveu.
Levantamento da consultoria Arquimedes aponta que a reunião teve um impacto positivo para o chefe do Executivo. A empresa levantou 280 mil tuítes sobre o tema na sexta e concluiu que 75% das menções foram positivas, contra 25% negativas.
Esta não foi a primeira vez que Musk caiu nas graças da militância bolsonarista. Ele é CEO da Tesla e da Space-X e tem uma fortuna avaliada em US$ 230 bilhões, a maior do mundo, segundo a revista Forbes.
Recentemente, anunciou a compra do Twitter, o que foi comemorado por aliados do presidente.
Na reunião com o empresário, Bolsonaro elogiou a iniciativa: “A compra do Twitter para nós aqui foi como um sopro de esperança”, afirmou, emendando que a “liberdade é a semente do futuro”.
No último dia 13, porém, o bilionário anunciou a suspensão do acordo para compra da plataforma. Caso ela se concretize, Musk já afirmou que pode reverter, por exemplo, o bloqueio das contas de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos e aliado de Bolsonaro.
A vinda dele ao Brasil, todavia, não teve nada a ver com a negociação para aquisição da rede social. Ele esteve no país para anunciar uma parceria para para melhorar a conexão de internet na região amazônica, programa que já existe há quatro anos e é operado por outras duas empresas.

 

MATHEUS TEIXEIRA / (FOLHAPRESS)

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