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Bolsonaro faz motociata em Orlando e discursa em igreja com Allan dos Santos na plateia

Presidente Jair Bolsonaro (PL) em motociata em Orlando, nos Estados Unidos - Facebook/Reprodução

Com prisão decretada no Brasil e considerado foragido, blogueiro bolsonarista acompanhou evento

O presidente Jair Bolsonaro (PL) juntou cerca de 350 motocicletas e seus donos em frente a uma igreja evangélica em Orlando, nos Estados Unidos, na manhã deste sábado (11). Em seguida, eles saíram em grupo pelas ruas dos arredores.

Antes da motociata, Bolsonaro discursou dentro da igreja. “O que mais peço a vocês é orações, entendimento, porque nós não podemos errar. Creio que aquela primeira frase do livro de João 8:32 já é uma realidade. A verdade. Outra [frase] que diz que por falta de conhecimento meu povo pereceu. Eu entendo que vocês hoje já entendem o que é a política de verdade no Brasil”, afirmou.

Depois, ele fez um novo pronunciamento do lado de fora, onde cerca de 2.000 pessoas, nas estimativas da igreja, esperavam-no no estacionamento. Ele falou de cima de um jipe. Apoiadores agitavam bandeiras e roncavam os motores para demonstrar apoio, sob sol forte e calor de 30ºC.

Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para participar da Cúpula das Américas, realizada em Los Angeles, e teve reunião bilateral com o presidente americano, Joe Biden. Em diferentes ocasiões, Bolsonaro ecoou o discurso fantasioso de que houve fraude na eleição que levou o democrata ao poder.

O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos —investigado no inquérito das fake news e de atos antidemocráticos e considerado foragido após ter sua prisão decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes— estava na plateia do discurso presidencial deste sábado e publicou vídeo em que acompanha o discurso presidencial, nas primeiras fileiras da igreja. Santos veio a Orlando participar do primeiro Congresso Conservador Brasileiro da Flórida, organizado pelo grupo Yes Brazil USA.

De tarde, Bolsonaro disse que não se encontrou com Santos e não o viu na plateia. De manhã, afirmou que não recusaria uma conversa com ele. “Se ele estiver presente, falo com ele. É um cidadão brasileiro. Se expressou, se foi bem ou mal, mas sua pena jamais poderia ser ameaça de prisão”, afirmou. Questionado se o gesto poderia ser visto como uma afronta ao STF, que ordenou a prisão de Santos, o presidente respondeu que “os ministros precisam entender que não são deuses”. “Todos somos autoridades subordinadas à Constituição.”

Depois de um breve discurso, o presidente subiu em uma moto e partiu para o passeio, seguido por cerca de 350 motos, na estimativa do Planalto, e mais dezenas de carros, decorados com muitas bandeiras do Brasil, algumas dos EUA, cartazes de apoio ao presidente e alguns com críticas à imprensa e à esquerda.

Gritos como “nossa bandeira jamais será vermelha” e “Bolsonaro, esperança do Brasil” eram comuns durante o aquecimento. Um caminhão com um telão com mensagens contra o líder brasileiro deu algumas voltas pelo local enquanto o presidente estava dentro da igreja, mas foi embora antes da motociata começar.

O grupo rodou por cerca de 40 minutos pelas ruas próximas, onde há parques de diversão e comércios, em uma rota combinada com a policia local. As motos que ficaram mais próximas do presidente foram revistadas pela polícia e pelo serviço secreto, que ajuda a proteger Bolsonaro em seus deslocamentos no território dos EUA. O presidente usou capacete durante o trajeto.

Na chegada, Bolsonaro foi cercado por apoiadores ao descer da moto e houve empurra-empurra entre agentes brasileiros e americanos e o público. O presidente entrou no carro, rodou alguns metros de pé nele, com a porta aberta, antes de partir para o almoço, em uma churrascaria brasileira, junto com a comitiva. Depois do almoço, o brasileiro voltou a falar com a imprensa, e fez ataques a ministros do STF.

Marciano Maia, 62, presidente do Yes Brazil USA, conta que o grupo organizador da motociata foi criado em setembro de 2018, quando ele e algumas pessoas próximas souberam da facada em Bolsonaro enquanto comiam em uma padaria, e decidiram fazer algo. Ele também tem cidadania americana e vive nos EUA há mais de três décadas.

Maia explicou que o grupo, que organizou a motorista e o Congresso Conservador onde Santos falaria, se define como conservador e republicano, e se identifica com a defesa da pátria e da família feita por Bolsonaro. Ele e outros Integrantes do grupo ouvidos pela Folha dizem estar confiantes que Bolsonaro deve ser reeleito, mas veem chances reais de que a eleição de outubro possa ser suspensa.

“O Exército tem poder de parar tudo. Se não for uma coisa limpa, o Exército não vai permitir ter eleição”, avalia Maia.”Se tiver segundo turno, já é problema”, disse Maia.

O presidente decolou de volta ao Brasil na tarde deste sábado (11). Mais cedo, de manhã, ele inaugurou o vice-consulado do Brasil em Orlando, repartição que tem menos funções do que um consulado pleno e não abrange equipes de promoção de parcerias comerciais e atividades culturais. O posto de Orlando será dedicado a atender brasileiros que precisam resolver questões burocráticas, como recuperar passaporte, e busca atender tanto residentes quanto turistas vindos do Brasil.

Antes da abertura do novo escritório, moradores de Orlando precisavam viajar por quatro horas até Miami para ser atendido. Uma autoridade do Itamaraty comentou, sob anonimato, que uma das intenções é ajudar também imigrantes brasileiros em situação irregular, que podem ter receio de viajar de uma cidade a outra e serem pegos por autoridades americanas no caminho.

 

 

RAFAEL BALAGO / FOLHAPRESS

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