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Batista, volte a “falar” com a sociedade

Por Welliton Carlos, especial para o Click News

A OPINIÃO  é uma das mais nobres atividades do jornalismo. É, sobretudo, a garantia constitucional da livre manifestação do pensamento. Opinar com conhecimento é, assim, exercício de liberdade e responsabilidade. Uma necessidade.

Foi a opinião o motor da revolução Gloriosa, Francesa e da proclamação da República. Com ela, regimes de exceção caíram, lideranças surgiram e direitos foram conquistados. Todos os direitos individuais datam de lutas opinativas nas esferas de discurso de cada época. Rudolf Von Ihering bem disse que os direitos são conquistados com lutas – e luta seria outro nome para opinião, já que cada uma traz em si o valor subjetivo intrínseco.

As páginas do “Diário da Manhã” tornaram-se – há dez anos – em esfera pública por onde deságua o pensamento do povo goiano e dos seus grandes atores sociais. No “Opinião Pública” ou mesmo nas páginas internas do impresso, além de seu imenso lastro virtual na rede de computadores, o leitor pode ler opiniões diferentes sobre tudo. Ao contrário de outros veículos, que forçam o filtro para que muitos não possam opinar, o DM faz questão de abrir todas suas válvulas. Jamais conseguirão tirar este título do DM: o veículo de comunicação mais democrático do Brasil.

Este posicionamento de ser a esfera pública da sociedade vem desde sua fundação, em 1980, mas há uma década o jornal criou uma editoria específica para a sociedade “falar”.

A opinião da sociedade permanece no DM, mas falta uma determinante em suas páginas: a opinião do fundador do “Opinião Pública” e da maioria das inovações da imprensa goiana.

Falta, em síntese, mais Batista Custódio nas linhas impressas do DM. Aprendi o que é um jornal com o maior jornalista de Goiás. Ainda que tenha feito cursos e mais cursos, o que sei de concreto é o sintagma da redação apresentado pelo veterano de várias guerras entre tipos móveis e digitais.

E como aprendiz, passei a enxergar nas “laudas” de Batista as entrelinhas da história, o curso de nossos rios e a sabedoria da união do erudito e popular em uma mensagem que é ao mesmo tempo “notícia” e história.

Batista tem uma vivência que não cabe em parágrafos. Na juventude encarou o tablado com a lenda do teatro João Bennio, foi conselheiro e admirador do ministro Alfredo Nasser, testemunha de relatos de Juscelino Kubitschek a José Sarney. Revelou o ator Stepan Nercessian. Dialogou e questionou Golbery do Couto e Silva, debateu pautas com Aloysio Biondi e Washington Novaes. Mandou abrir as portas da redação do DM para receber o atual presidente, quando Jair Bolsonaro era ainda um x+y da política. Enfim, Batista colidiu com a história de nossos tempo.

Diante tamanho background, de imensa robustez e estatura, a imprensa goiana segue morta sem ter suas ideias circulando, ricocheteando nas esferas públicas. Escrevo como leitor pedindo ao jornalista Batista Custódio para que não nos deixe no escuro. Que venha com sua lanterna e nos faça segui-lo diante de uma era de incertezas e dramas humanos. Que ele nos oferte sua economia de sentimentos e emoções, dando a cada fato a dimensão da realidade.

Muitos questionam a ausência do jornalista com sua opinião. Batista tem escrito, sim, no DM. Mas deveria escrever muito mais. Desta forma, estará, acima de tudo, exercendo sua liberdade e impactando a realidade. Que o jornalista ouça nossos pedidos e se desperte a falar, exercendo seu direito subjetivo de ir além e interpretar os fatos, dando a cada aspecto da realidade sua leitura poética e polissêmica, rica e complexa dos comportamentos recônditos e telúricos do homem.

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Welliton Carlos é jornalista do DM, mestre em direito agrário e doutor em sociologia, ambos pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

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