Latest Posts

- Advertisement -
Click News

Latest Tweets

DestaqueSaúde

Alta de casos de covid traz medo da intubação. Especialistas orientam

Intubação é usada nos casos mais graves, o que causa medo no pacientes MARKO DJURICA/REUTERS - 3.3.2021

Tubo é associado à gravidade e profissionais de UTIS criam relação de confiança e honestidade para controlar ansiedade de pacientes

 

A palavra intubação passou a fazer parte da vida dos brasileiros mais intensamente há pelo menos dois meses, devido ao agravamento da pandemia no país. Com isso, vieram a preocupação e o medo das famílias e dos pacientes infectados com a covid-19.

Na última semana, na cidade de Londrina, no Paraná, um homem fugiu do hospital quando soube que seria intubado. A equipe médica conseguiu resgatá-lo. Mas, a reação chamou a atenção para ansiedade e medo que o procedimento leva ao doente.

Os especialistas indicam que a reação está relacionada ao conhecimento que as pessoas já têm de que a ventilação mecânica está associada à gravidade da doença. “O paciente sabe que só está sendo intubado porque tem um risco de morrer. Quando o doente chega ao estado grave, existe um trabalho de conversa e confiança com os profissionais, que ele vai sentindo que a situação está piorando e pode chegar até a intubação”, explica a médica intensivista Mariza Loesch, coordenadora da UTI do Hospital São Luiz – Itaim.

A coordenadora de psicologia de São Paulo da Rede D’OR, Patricia Bader explica: “Cada vez mais a intubação é entendida publicamente como a morte. Só que cada paciente tem uma resposta aos medicamentos e existe chance de vida”, afirma a psicóloga.

De acordo com dados do site UTIs Brasileiras, que registra informações de Unidades de Terapia Intensiva do Brasil, a taxa de mortalidade dos pacientes com covid e que recebem ventilação mecânica chega a 71,8% nos hospitais públicos e a 63,2%, nos particulares.

Mesmo com números altos, a psicóloga do Hospital Santa Catarina, Ana Carolina Ratajczyk Puig enfatiza que o procedimento tem de ser associado à busca pela vida. “Tentamos trazer o paciente para o momento presente. O tubo não quer dizer que ele vai morrer, ao contrário, é uma ação e uma busca para a vida”, afirma a profissional.

Na grande maioria dos casos, as pessoas são avisadas sobre o procedimento. Médicos e psicólogos concordam que é fundamental a conversa e a explicação do que acontecerá. “O medo é ligado ao não controle da situação. Para lidarmos com isso, trazemos a informação, o acolhimento, o vínculo com a equipe. Mostramos que tudo bem ele sair do controle por um tempo para os profissionais cuidarem dele”, diz Puig.

A relação de confiança é fundamental no dia a dia dos hospitais. “Criamos um lastro com o doente e fazemos pactos para que ele perceba os sintomas do próprio corpo. Quando isso acontece no pronto-socorro, é mais difícil. Mas a orientação é se apresentar pelo nome, dizer sua função, reconhecer o nome do paciente e explicar o que vai ser feito. Porque, na verdade, recebemos uma procuração para cuidar da vida da pessoa”, salienta Bader.

Falta da família aumenta ansiedade

A alta transmissibilidade da covid ainda deixa os doentes completamente afastados dos familiares, o que dificulta a manutenção da saúde mental. “Quando a pessoa está internada, veste uma roupa que não é dela, num ambiente que não é dela, com pessoas que ela conheceu agora. Mesmo sendo pessoas que estão lá para cuidar dela, ela demora para entender. A família é uma representação do que ela é lá fora e uma esperança que ela volte a ser o que ela é fora do hospital”, conta a psicóloga do Hospital Santa Catarina.

Por isso, os pacientes estão liberados para usar celulares, mesmo dentro das UTIs. “Autorizamos que os pacientes fiquem com os celulares, façam chamadas de vídeo e se possível um médico acompanha. É difícil: isolamento, medo de morrer e longe de quem ama”, exalta a médica Mariza Loesch.

Memória da intubação

É importante lembrar que todo processo de intubação é feito com os pacientes sedados. Quando há tempo, após avisar a todos. Isso faz com que o procedimento seja menos sofrido e dolorido. Enquanto está intubado, o paciente está dormindo. Após o retorno, quase ninguém lembra dos dias de sedação.

“Eventualmente acontecem reminiscências, fatos sensoriais do momento. Tive uma paciente, não pós-covid, que passou muito tempo intubada e a irmã dela fazia massagem nas pernas dela, para ajudar na circulação. Após recuperação, ela teve muito sonhos ruins, mas disse que sentia um cheiro doce. Como a irmã estava junto na sessão, ela lembrou do creme de pêssego que usava durante a massagem. A partir daí trabalhamos para ela se livrar do trauma do tubo. Infelizmente, na fase atual da pandemia não conseguimos ter esse acompanhamento tão grande”, finaliza Patricia, da Rede D’or.

 

 

 

Do R7

Deixe um comentário