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Adriano Pires diz que não quer assumir Petrobras e cria impasse para governo

O economista Adriano Pires em audiência pública no Congresso Nacional. - Pedro França/Agência Senado

O empresário Adriano Pires informou ao Palácio do Planalto nesta segunda-feira (4) ter dificuldades para assumir a presidência da Petrobras e criou um impasse para o governo.
Segundo pessoas ligadas à estatal, o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) ainda buscava na tarde desta segunda encontrar uma solução para convencer Pires a mudar de ideia.
De acordo com integrantes do governo, ainda não há clareza a respeito de um plano B, caso se concretize a desistência de Pires.
Até o momento, o Palácio do Planalto e o MME (Ministério de Minas e Energia) dizem que não receberam nenhum comunicado oficial sobre a desistência.
A decisão do economista cria um impasse para o governo, que tem menos de dez dias para conseguir um substituto para presidir a Petrobras.
Na prática, apesar de a troca ter sido anunciada, ela só ocorreria no próximo dia 13, na assembleia geral de acionistas da empresa, quando o governo apresenta sua lista de representantes ao conselho.
A turbulência fez as ações preferenciais da Petrobras, as mais negociadas na Bolsa, recuarem 0,88% nesta segunda, puxando o mercado para baixo.
Esta será a terceira troca no comando da empresa durante a gestão Bolsonaro, e ocorre em um momento especialmente sensível.
Após o mega-aumento no preço dos combustíveis, o general Joaquim Silva e Luna entrou na mira do presidente Jair Bolsonaro (PL), preocupado com a alta de preços e seu efeito inflacionário.
O tema dos combustíveis é considerado um dos mais importantes para Bolsonaro desde o ano passado, e se agravou com a guerra na Ucrânia. Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, ele busca sua reeleição em outubro.
A palacianos, o economista alegou potencial conflito de interesses para justificar sua desistência.
Um dos principais entraves para a nomeação é o fato de Pires ser dono do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), fundado pelo economista, que hoje preside a companhia, tendo o seu filho como sócio e diretor da empresa.
O problema é que, pela Lei das Estatais, Pires não poderia simplesmente deixar a empresa e vender as cotas para o filho porque o parente continuaria sendo acionista.
Ou seja, para assumir a presidência da Petrobras, não só Pires, mas também seu filho deveria abrir mão da empresa –o que ele não quer.
Por outro lado, segundo aliados do Planalto, Pires também estaria preocupado com eventuais intervenções na estatal, a depender do momento político.
Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, o indicado para substituir o general Joaquim Silva e Luna tem forte ligação com Carlos Suarez, dono da Termogás, que controla distribuidoras de gás encanado em regiões ainda não atendidas por gasodutos, como o Distrito Federal. Também ficou mais conhecido com o S da OAS, que ajudou a fundar e da qual depois se desligou.
Na última sexta-feira, o Ministério Público do TCU (Tribunal de Contas da União) entrou com uma representação solicitando apuração da CGU (Controladoria-Geral da União) e da Comissão de Ética sobre possível conflito de interesse, devido à sua atuação no setor. A peça sugere ainda que ele só seja indicado após a conclusão do caso.
O procurador Lucas Furtado também diz ao tribunal para apurar eventual ingerência do governo na Petrobras com a troca no comando da estatal.
O Comitê de Pessoas da Petrobras, responsável por analisar as nomeações para a alta administração da estatal, também viu possível conflito de interesses na indicação de Pires para presidir a companhia.
Diante das suspeitas, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), saiu em defesa de Pires nesta segunda. “A pauta da imprensa e talvez do Ministério Público é condenar o possível presidente da Petrobras, porque prestava assessoria a um grupo empresarial. Se eu sou da atividade privada, eu não posso trabalhar para nenhum grupo empresarial? Eu não posso prestar serviço?”, questionou.
“Quer dizer, você tem que pegar um funcionário público para ser diretor da Petrobras? Ou pegar um arcebispo para ser diretor da Petrobras?”, continuou Lira. “Não, você tem que colocar alguém que entenda de petróleo, alguém que entenda de gás, alguém que entenda do setor, que vá ser julgado dali para frente das ações.”
Segundo presidente da Câmara, a situação evidencia um “falso moralismo, um julgamento precipitado” nas ações que só atrapalham o país.
A sinalização de Pires de que não quer comandar a companhia ocorre pouco mais de 24 horas depois de o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, desistir de presidir o conselho de administração da companhia, alegando que precisa se dedicar ao comando do clube.
Quem acompanha o setor de óleo e gás, porém, avalia que há outras razões.
Em 2021, Landim foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposta gestão fraudulenta de investimentos que teria provocado perdas a fundos de pensão dos empregados da própria Petrobras, da Caixa e do Banco do Brasil.
É certo que seria questionado por isso na assembleia que avaliaria a sua indicação, e ele teria desistido temendo a reprovação de seu nome.
Nesta segunda-feira (4), o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse “estar sem luz” sobre a crise gerada com a troca de comando da Petrobras.
Responsável pelas nomeações da área econômica no início do governo, ele já havia afirmado não ter participado da escolha de Adriano Pires para presidir a companhia.
A declaração de Guedes foi dada após almoço promovido pelo grupo Voto em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Ao entrar no carro, a imprensa pediu que ele “desse uma luz” sobre o que está acontecendo na estatal.

 

JULIA CHAIB, MARIANNA HOLANDA E JULIO WIZIACK / (FOLHAPRESS)

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